O governo de Alagoas terá, ao menos, quatro baixas no primeiro escalão nos próximos dias. Os secretários Júlio Cezar (Serfi), Judson Cabral (Semarh), Tereza Nelma (Secdef) e, agora confirmada, Claudia Balbino (Seteq) vão se desincompatibilizar para disputar as eleições deste ano.
A novidade mais recente é a saída de Claudia Balbino, que deixa a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Qualificação para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo MDB. “O governador Paulo Dantas convidou a Pastora Claúdia e ela aceitou o desafio. Será um importante nome na eleição. Mulher, evangélica e com grande capacidade de liderança”, avalia um influente interlocutor do Palácio dos Palmares.
A entrada de Cláudia consolida uma estratégia que vinha sendo desenhada nos bastidores do governo e do MDB. Ampliar a chapa de federal. E buscar novos nichos.
Ligada à Assembleia de Deus do Bras, AD Bras, que tem forte presença em Alagoas, Cláudia reforça o diálogo do MDB com o eleitorado evangélico, um segmento considerado estratégico para a disputa proporcional. O PP de Arthur Lira foi buscar este nicho com a filiação de Gunnar Nunes, filho do pastor-presidente José Orisvaldo Nunes de Lima, líder da Assembleia de Deus em Alagoas
A legenda já vinha trabalhando nessa frente e agora avança com um nome com presença orgânica nesse campo. Com a confirmação de Claudia, o MDB também atinge o número mínimo de candidaturas femininas exigido por lei. A chapa já conta com Tereza Nelma e Fátima Santiago, formando um bloco competitivo entre as mulheres.
E pode crescer. Ainda mais.
Nos bastidores, dirigentes do partido admitem que pelo menos mais um nome feminino deve ser anunciado nos próximos dias, ampliando a participação e fortalecendo a nominata.
Além da composição proporcional, a saída dos secretários também dialoga com a estratégia maior do grupo político liderado pelo governador Paulo Dantas. A ideia é estruturar chapas competitivas tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa.
O MDB quer crescer. A meta, já declarada, é sair das atuais duas vagas para até três deputados federais. Com nomes mais densos eleitoralmente e capilaridade em diferentes regiões e segmentos, o partido acredita ser possível alcançar esse patamar.
A conta está sendo feita. E ajustada.
A desincompatibilização dos secretários marca, na prática, o início de uma nova fase no processo eleitoral em Alagoas. A montagem das chapas entra na reta final, com movimentos mais objetivos e menos espaço para especulação. O jogo começa a se desenhar. E os nomes, a aparecer.



