CRB venceu, o padrão apareceu, a eficiência ainda não


Léo Campos comemora gol da vitória do CRB. Ailton Cruz

Estreia tem duas ciladas clássicas: entrar desligado, ou achar que “vai sair na hora que quiser”. O CRB não caiu em nenhuma das duas. Venceu o CSE por 1 a 0, gol de Léo Campos, e venceu com postura de time que não quer brincar de estadual.

Quem esperava um CRB mais cauteloso por conta do pouco tempo de trabalho se enganou. A equipe foi pressionante, empurrou o CSE para dentro da própria área e colocou o jogo no roteiro que Barroca gosta: controle territorial, bola rondando, rival respirando curto. O gramado pesado atrapalhou a velocidade da circulação, mas não mudou a ideia. O CRB ficou em cima.

Só que o futebol tem uma parte chata que não dá para driblar, eficiência. O primeiro tempo foi um bombardeio que não virou placar porque Jefferson fez uma partida enorme, e porque o CRB finalizou mal em momentos que pediam frieza. Volume não ganha jogo sozinho. Volume é o caminho. O placar é o destino.

CRB = TITULARES CONTRA O CSE. Marlon Araújo

Barroca leu isso cedo e mexeu como quem não quer deixar o jogo ganhar vida própria. Quatro mudanças no começo do segundo tempo, e não foi loteria, foi intenção clara: subir qualidade, subir intensidade, aumentar a presença de área. O CRB continuou amassando, só que com mais agressividade. O gol saiu como tinha que sair, no acúmulo do sufoco. Léo Campos recebeu e bateu no canto, sem conversa.

O CSE, por outro lado, veio para sobreviver. Defendeu com dignidade, mas quase não mostrou plano para atacar. Depois de sofrer o gol, a reação foi tímida, pouca ambição, pouca ameaça. O treinador citou desgaste e problema de logística, com jogadores passando mal. Ajuda a explicar a queda física, não explica a falta de tentativa de mudar o jogo.

Público total: 5.054. Pagantes: 3.840. Renda: R$ 59.642,90.

No olho do jogo, recorte por peças

Wallace: defensivamente, quase não foi testado. O que agradou foi a personalidade. Tentou passe de ruptura, verticalizou com coragem e boa taxa de acerto. Zagueiro assim dá ritmo ao modelo.

Volante Luizão deixou boa impressão.. — Foto: Ailton Cruz

Luizão: volante de contenção, com salto de pressão acima da média. Chega firme, encurta, dá bote com fome. Quase marcou um belo gol. Vai crescer com o entrosamento, porque esse tipo de jogador aparece mais quando o time encaixa.

Pedro Castro: o mais discreto dos estreantes. Partida protocolar, correta, sem erro grande, mas também sem marcar território.

Pottker: oportunidade boa, resposta abaixo. Teve chances e finalizou mal. Em jogo de domínio, quem joga na frente precisa transformar a chance em gol, senão o jogo vira novela.

Mikael: entrou com entrega, brigou, se doou. Ainda longe de ser unanimidade. Falta contundência, falta virar ameaça real.

Camisa 9: João Neto não entrou, e a pergunta segue aberta. Quem vai ser o 9 que decide quando o jogo pede faca no dente dentro da área?

Extremos: aqui tem briga. Thiaguinho e Dadá começaram, mas o segundo tempo mostrou um Douglas Baggio mais forte fisicamente e muito efetivo. Guilherme Pato também entrou pedindo espaço, deixou recado claro.

No fim, a vitória valeu mais do que os três pontos. Valeu pela mensagem. O CRB manteve o padrão, teve banco que muda jogo, e mostrou que vai tentar ganhar impondo o próprio ritmo. Agora vem o passo que separa time dominante de time campeão: transformar volume em placar antes do adversário “acreditar”.



Fonte: Gazetaweb