A ideia não é nova e já apareceu em rodas de conversa, provocações políticas e até em debates mais acalorados: e se o Nordeste fosse um país independente, desatarrachado do Norte e do Sul? A resposta, ao menos do ponto de vista institucional, passa a ser objetiva a partir desta quinta-feira, 5 de fevereiro. Nesse cenário hipotético, o presidente seria um alagoano.
O governador Paulo Dantas assume, nesta data, a presidência do Consórcio Nordeste, entidade que reúne os nove governadores da região e atua como principal instrumento de articulação política, econômica e administrativa entre os estados nordestinos. A posse está marcada para as 14 horas e simboliza mais do que uma troca de comando: representa o fortalecimento de Alagoas no centro das decisões regionais.
Criado há apenas seis anos, o Consórcio Nordeste ganhou musculatura institucional em pouco tempo. Hoje, funciona como uma instância de coordenação de políticas públicas, tratando o Nordeste como uma unidade estratégica, sem abrir mão das particularidades de cada estado. A atuação conjunta envolve desde compras compartilhadas e projetos estruturantes até negociações diretas com o governo federal e organismos internacionais.
Eleito por unanimidadepara o cargo em dezembro, Paulo Dantas chega à presidência após um período intenso de preparação. Nas últimas semanas, conciliou a agenda de governador com reuniões técnicas, análises de projetos e despachos com consultores e especialistas ligados ao consórcio. O cuidado reflete o peso político da função, que vai muito além de um mandato protocolar.
Entre as prioridades da gestão está a continuidade de projetos voltados ao desenvolvimento regional. Um dos principais é o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, iniciativa que busca posicionar a região como polo de produção de alto valor agregado, com atração de indústrias intensivas em tecnologia, integrando a agenda da neoindustrialização verde à justiça social.
De acordo com informações da Agência Alagoas, a estratégia aposta em ativos já consolidados do Nordeste, como a matriz energética limpa, o potencial produtivo, a mão de obra qualificada e os avanços sociais acumulados nos últimos anos. O objetivo é alinhar crescimento econômico, inovação, ciência e tecnologia a um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Ao assumir o comando do consórcio, Paulo Dantas afirmou que a região vive um ciclo de oportunidades e destacou a importância de um pacto federativo baseado no diálogo e na responsabilidade institucional. A sinalização aponta para uma gestão voltada à cooperação entre os estados e à ampliação da presença do Nordeste nas agendas nacionais.
Embora o cargo não tenha grande visibilidade junto ao eleitor comum, a presidência do Consórcio Nordeste projeta o governador no núcleo duro das decisões políticas e administrativas do país. A função amplia sua interlocução com governadores, ministros, dirigentes de instituições públicas e privadas e líderes empresariais, fortalecendo sua imagem no cenário regional e nacional.
Para Alagoas, o movimento tem peso simbólico e prático. Coloca o estado em posição de protagonismo em um espaço que discute e executa políticas estratégicas para toda a região. No plano político, também contribui para consolidar Paulo Dantas como uma liderança que ultrapassa os limites geográficos do estado.
Se o Nordeste fosse independente, o exercício é apenas retórico. Mas, na prática, a partir desta agora, quem preside a principal instância de articulação regional é um alagoano. E isso, por si só, já diz bastante sobre o momento político que se desenha.
A presidência do Consórcio Nordeste projeta Paulo Dantas para além das fronteiras de Alagoas. O posto amplia sua interlocução direta com o governo federal, organismos internacionais, instituições financeiras, empresas e governos estaduais, fortalecendo sua presença no debate regional e nacional. Trata-se de um espaço estratégico, especialmente em um momento em que o Nordeste busca ampliar sua participação em projetos estruturantes e em políticas de desenvolvimento sustentável.
No médio e longo prazo, a experiência tende a credenciar o governador para desafios ainda maiores, seja no âmbito federal, seja em futuras composições políticas nacionais.
Saiba mais:
Governador Paulo Dantas assume presidência do Consórcio Nordeste no próximo dia 5


