Como aprender inglês impulsiona o desenvolvimento cognitivo


Contato precoce com o idioma amplia plasticidade cerebral e favorece habilidades acadêmicas e sociais. — Foto: Reprodução

A inclusão da língua inglesa na vida das crianças tem gerado consequências positivas para o desenvolvimento desse público. Comprovações científicas apontam que a educação bilíngue tem contribuído nas funções executivas, como foco, controle inibitório, memória de trabalho e tomada de decisões, ao mesmo tempo em que incentiva criatividade, autonomia e abertura cultural.

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De acordo com pesquisas de neurociência, ao aprender desde cedo o inglês, são realizadas modificações em conexões neurais, ou seja, crianças bilíngues apresentam maior plasticidade cerebral, melhor controle inibitório e maior capacidade de alternar entre tarefas, um conjunto de habilidades diretamente relacionado à aprendizagem ao longo da vida. A explicação está na alternância constante entre idiomas, que obriga o cérebro a trocar rapidamente de estratégia, aprimorando processos decisórios e o controle de atenção.

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Segundo o coordenador pedagógico Kids da Top English Maceió, José Gabriel Nascimento, apesar de não existir uma idade obrigatória para começar os estudos, quanto mais cedo for feito esse contato, mais rápido será sentido os benefícios. “Há uma janela de maior plasticidade cerebral até os 7 anos, em que a língua é adquirida de forma mais natural e implícita. Após os 10–12 anos, o aprendizado continua eficaz, porém tende a ser mais consciente e analítico”, explica.

Contato precoce com o idioma amplia plasticidade cerebral e favorece habilidades acadêmicas e sociais. — Foto: Reprodução

O acúmulo dessas evidências científicas ajuda a explicar o crescimento da educação bilíngue no Brasil, impulsionado pela percepção das famílias de que o inglês deixou de ser apenas um componente curricular para se tornar uma ferramenta cognitiva e cultural. Para atingir esses resultados, a metodologia é um importante ponto que deve ser observado antes de ensinar o novo idioma para as crianças.

“Abordagens com uso real da língua, interação e imersão são mais eficazes do que aulas isoladas de gramática. Exposição muito esporádica costuma gerar pouco impacto cognitivo. Por isso dependem do input, que são maneiras em que o cérebro é ‘alimentado’ e da regularidade”, salienta o coordenador pedagógico.

Outro fator importante é o tempo de estudo, ponto determinante para um aprendizado satisfatório. O mínimo eficaz é de 4 a 6 horas semanais e o ideal é ter contato diário, mesmo que curto. Lembrando que tempo de contato não significa necessariamente em sala de aula. Assim, ouvir músicas, assistir vídeos e ler histórias também se enquadram nessa categoria. Além disso, a consistência é mais importante do que longos períodos isolados.

Entre as habilidades que evoluem primeiro, a ordem natural costuma ser: escuta e compreensão, atenção e memória e por ultimo a fala espontânea, como consequência de input suficiente.

Ganhos iniciais em atenção e flexibilidade cognitiva costumam surgir após 1 a 2 anos de exposição consistente, quando o cérebro já possui base suficiente para gerenciar os dois idiomas. “Essa virada ocorre quando a criança passa a compreender e responder espontaneamente, sem traduzir mentalmente. Nessa fase, pode surgir o code-switching, uma a mistura temporária dos dois idiomas na mesma fala, o que não é um erro, mas um sinal saudável de integração linguística. Com o tempo, os idiomas passam a ser separados conforme o contexto”, ressalta José Gabriel.

Os efeitos, contudo, não se restringem ao campo cognitivo. Pesquisas do Center for Early Childhood Education mostram que crianças bilíngues tendem a demonstrar maior sensibilidade cultural e níveis mais profundos de empatia, resultado da exposição a diferentes repertórios simbólicos.

É importante salientar que o contato com a língua inglesa não atrapalha o desenvolvimento do português e por isso é recomendado começar ainda nos primeiros anos de vida. “Quando o português é bem estimulado, o bilinguismo fortalece a consciência linguística, ajudando a criança a compreender melhor a estrutura da própria língua materna”, pontua o especialista.

O impacto do bilinguismo ultrapassa a fluência, fortalecendo habilidades que a criança transfere para todas as áreas da vida escolar. A infância é um período em que a plasticidade cerebral opera no ápice, facilitando aquisição de pronúncia, memorização e integração do idioma ao cotidiano, portanto quanto mais cedo o contato, mais natural é o processo.

“O bilinguismo gera um efeito cascata, impactando na matemática e raciocínio lógico, resolução de problemas, empatia e habilidades sociais e na saúde cognitiva a longo prazo, criando reserva cognitiva que pode retardar sintomas de declínio cognitivo no futuro”, finaliza o coordenador pedagógico.

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Fonte: Gazetaweb