O “apagão” do Pix que afetou inúmeros clientes de vários bancos brasileiros, nesse sábado (7/2), foi causado por uma falha de comunicação em um dos servidores da Amazon Web Services (AWS) – subsidiária da Amazon e plataforma responsável por prover infraestrutura digital sob demanda.
A informação foi confirmada, por meio de nota, pela própria AWS. O Pix é o sistema de transferências e pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) e amplamente utilizado como meio preferencial de pagamento por milhões de brasileiros.
Entenda o que aconteceu
Entre a manhã e a tarde de sábado, milhares de clientes de diversos bancos, fintechs e instituições de pagamento foram afetados pela instabilidade ou indisponibilidade dos serviços de aplicativos dessas empresas, principalmente o Pix.
Após reclamações de clientes de diversas instituições financeiras, como Nubank, Itaú, Santander e Inter, o Pix voltou ao normal por volta das 13h30.
De acordo com dados do Downdetector, que monitora o funcionamento de serviços on-line, houve um aumento na incidência de queixas sobre o funcionamento do Pix a partir das 11h (pelo horário de Brasília). O pico de reclamações foi registrado às 12h03, com quase 2,6 mil queixas.
No caso do Nubank, o pico de reclamações ocorreu às 12h05, com cerca de 6,8 mil queixas. Também houve reclamações dos clientes do Itaú (pico de 2,3 mil queixas, às 12h21), do Santander (2,5 mil notificações, às 12h20) e do Inter (1,3 mil reclamações, às 11h53).
A falha na AWS foi detectada no fim da manhã. “Entre 11h36 e 12h09 (horário de Brasília), experimentamos problemas intermitentes de conectividade de rede entre duas Zonas de Disponibilidade (sae1-az1 e sae1-az3) na Região SA-EAST-1. Isso resultou em taxas de erro de API e latências para os Serviços AWS na Região. O problema foi resolvido e todos os serviços estão operando normalmente”, afirmou a AWS em nota.
Essas zonas de disponibilidade são data centers que ficam instalados em locais geográficos diferentes, exatamente para minimizar os impactos de possíveis falhas. A companhia mantém pelo menos três zonas de disponibilidade diferentes em cada região em que opera. Os servidores da AWS no Brasil estão localizados em São Paulo.
O que é a AWS
A AWS oferece serviços como armazenamento de dados, hospedagem de sites, redes, bancos de dados, inteligência artificial, machine learning e cibersegurança. Tudo isso de forma remota, por meio da nuvem, permitindo que empresas operem seus negócios on-line, sem a necessidade de manter servidores físicos.
A AWS foi criada em 2006 e, desde então, se consolidou como a maior provedora de computação em nuvem do mundo. Seu modelo de negócios permite que organizações contratem recursos de tecnologia sob demanda, pagando apenas pelo que utilizam, com flexibilidade para escalar o uso conforme a necessidade. A abordagem ajuda a reduzir custos, acelerar o desenvolvimento de soluções digitais e operar globalmente com segurança e eficiência.
Em vez de comprar equipamentos caros, empresas de todos os portes – de startups a multinacionais – alugam poder computacional, armazenamento e conectividade para rodar suas aplicações. A AWS tem data centers distribuídos por dezenas de países. Assim, garante alta disponibilidade, baixa latência e backup em múltiplas regiões, o que torna a estrutura da plataforma essencial para o funcionamento da internet moderna.
Entre os principais serviços oferecidos pela plataforma, estão o Amazon EC2 (computação em servidores virtuais), Amazon S3 (armazenamento de objetos), Amazon DynamoDB (banco de dados NoSQL), AWS Lambda (computação sem servidor), Amazon CloudFront (distribuição de conteúdo), além do Amazon SageMaker (para criação e treinamento de modelos de inteligência artificial).
Atualmente, milhões de organizações em mais de 190 países utilizam a AWS para hospedar sites, processar grandes volumes de dados e garantir a operação de sistemas em tempo real. Em 2024, a divisão foi responsável por mais de US$ 108 bilhões em receita, concentrando a maior parte dos lucros da Amazon.
Contudo, quando essa infraestrutura falha, como ocorreu nesse sábado, os efeitos são sentidos em cascata. Não foi a primeira vez que um problema desse tipo aconteceu. Em outubro do ano passado, por exemplo, um “apagão” afetou o sistema e causou instabilidade em diversos sites e aplicativos ao redor do mundo, entre os quais Snapchat, Roblox, Perplexity e Prime Video.
O que disseram os bancos
Ao Metrópoles, ainda no sábado, o Nubank informou que “a instabilidade já foi integralmente solucionada”.
O Banco Inter, por sua vez, disse que “após instabilidades em serviços de infraestrutura em nuvem, que impactaram o mercado”, o “SuperApp está plenamente disponível e que todos os serviços já foram normalizados para os clientes”.
O Itaú afirmou que “identificou uma instabilidade pontual que impactou uma parcela de clientes para a realização de transferências via Pix no início da tarde deste sábado (7)”. “A ocorrência foi originada por conta de uma falha sistêmica em um fornecedor externo ao banco, que causou impacto em parte do mercado. O Itaú esclarece que a situação já foi normalizada.”
Até o momento, o Banco Central não se manifestou sobre a queda do Pix.



