A câmera treme, alguém chama pelo nome dele, e Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, aparece correndo pelo corredor da escola, cercado de amigos, fazendo graça, como se a vida fosse uma festa que nunca acabaria. Em seguida, cortes rápidos: aniversários, pintura de rosto, abraços apertados, brincadeiras em sala de aula, selfies coletivas, danças improvisadas. Em cada cena, o mesmo traço: um sorriso largo, fácil, contagiante.
Produzida por colegas e publicada nas redes sociais, a homenagem a Rodrigo transformou lembranças em despedida. O vídeo, montado com fotos e gravações do cotidiano, revela o adolescente como todos o conheciam: leve, brincalhão, sempre rodeado de amigos. “Ele transpirava vitalidade”, escreveu uma amiga. “Era impossível ficar triste perto dele”, comentou outro.
As imagens, que deveriam celebrar apenas a juventude, agora carregam um peso inesperado: são registros de uma vida interrompida cedo demais.
Uma morte que abalou o DF
A morte de Rodrigo chocou moradores do Distrito Federal nesta semana e reacendeu o debate sobre violência entre jovens.
O estudante não resistiu às graves lesões sofridas após uma briga ocorrida em Vicente Pires. Ele foi socorrido em estado crítico, com traumatismo craniano, e permaneceu intubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Águas Claras. Apesar dos esforços médicos, morreu em decorrência das complicações.
O principal envolvido no caso, Pedro Arthur Turra Basso, ex-piloto da Fórmula Delta, teve a prisão preventiva decretada e foi detido no dia 30/1. Ele foi encaminhado à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires). Anteriormente, havia sido liberado após pagamento de fiança. Atualmente está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP), no complexo da Papuda.
Como a briga começou
Segundo a investigação, a confusão teve início na noite do dia 22/1.
Testemunhas relataram que o suspeito teria jogado um chiclete mascado em um amigo da vítima. Após provocações, os dois adolescentes passaram a se agredir fisicamente.
Vídeos gravados no local mostram o momento em que um soco faz Pedro bater violentamente a cabeça contra um carro. O impacto o deixou desacordado. Ele chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.
Investigação e novas acusações
O novo pedido de prisão foi solicitado pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, apresentou detalhes adicionais e afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, incluindo a suposta agressão com uso de taser contra uma adolescente. A defesa contestou as declarações, alegando que a caracterização psicológica do suspeito extrapola a competência policial.
Também vieram à tona registros de ocorrências anteriores, como:
- agressão em praça pública após desentendimento;
- briga de trânsito com um motorista de 49 anos;
- denúncia de coação contra uma adolescente para consumo de bebida alcoólica.
Todos os casos seguem sob investigação. Com a confirmação da morte, a tipificação do crime pode ser alterada para lesão corporal com resultado morte ou até homicídio, o que pode aumentar a gravidade da acusação e a pena prevista.
Entre risadas gravadas e abraços congelados no tempo, Rodrigo permanece vivo na memória de quem conviveu com ele. O vídeo termina do jeito que começa: com um sorriso. Dessa vez, acompanhado de uma frase simples, que virou despedida coletiva: “ A gente nunca vai esquecer você.”



