O que, inicialmente, parecia uma briga entre jovens, ganhou contornos de crime ao longo dos dias e terminou de forma trágica. O estudante Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira (foto em destaque), 16 anos, não resistiu às lesões causadas pelo ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, 19, e acabou falecendo na manhã de sábado (7/2).


Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, 16 anos
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Rodrigo morreu nesse sábado (7/2), após duas semanas na UTI
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Jovem teve morte cerebral
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Amigos, familiares, pessoas públicas e instituições ligadas ao jovem prestaram homenagens
Foto: Reprodução/Instagram

Rodrigo foi internado após ser agredido por Pedro Turra, que está preso
Material obtido pelo Metrópoles

Momento da agressão, em 22 de janeiro
Material obtido pelo Metrópoles

Jovem chegou a pagar fiança, mas foi preso novamente
Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

Tio de Rodrigo, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury acredita que há mais envolvidos
Luis Nova/Especial Metrópoles (@LuisGustavoNova)
Veja a cronologia do caso
- O caso aconteceu na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio residencial em Vicente Pires (DF), na saída de uma festa. Pedro Turra teria jogado um chiclete na direção de Rodrigo para provocá-lo, iniciando uma luta corporal. A versão é contestada pela família da vítima, que acredita se tratar de uma emboscada.
- Diversos amigos de Turra filmaram a briga. Durante o embate, o agressor acerta um soco em Rodrigo de modo a fazê-lo bater a cabeça com violência na lataria de um carro.
- Em seguida, Rodrigo sai cambaleando, e a briga se encerra em meio a pedidos desesperados das pessoas ao redor: “Ô, Turra, vai matar ele”, disse um garoto que assistia à agressão.
- Horas após ser agredido, Rodrigo voltou para casa, mas precisou ir ao hospital. A família chamou por socorro, e o adolescente chegou a vomitar sangue durante o atendimento.
- No dia 23, Rodrigo foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, onde teve de ser intubado e permaneceu em estado grave até a manhã de sábado (7/2), quando veio a falecer.
- Na mesma data, Pedro Turra foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Porém, em audiência de custódia em 24 de janeiro, o jovem foi solto após pagar fiança de 15 salários mínimos (cerca de R$ 24.300,00). O agressor declarou durante depoimento que não tinha a intenção de machucar Rodrigo, que seguia intubado na UTI do Hospital Brasília.
- O caso ganhou extensa repercussão. Em 26 de janeiro a Fórmula Delta decidiu expulsar Pedro Turra da modalidade.
- Com a ampla divulgação das imagens da briga e do nome de Turra, novas denúncias começaram a surgir. Em 28 de janeiro, o Metrópoles noticiou que ele é investigado por forçar uma adolescente a beber vodca durante uma festa em Vicente Pires, em junho de 2025.
- Em seguida, veio à tona outro caso protagonizado por Turra. Em julho do ano passado, o piloto deu tapas na cara de um homem de 49 anos após um acidente de trânsito em Águas Claras (DF). As imagens mostram o rapaz humilhando, intimidando e agredindo a vítima.
- Diante da extensa ficha criminal e da alta repercussão do ocorrido contra o adolescente Rodrigo Castanheira, a PCDF pediu à Justiça prisão preventiva de Pedro Turra e cumpriu o mandado em 30 de janeiro. O jovem estava em casa no momento da prisão e foi levado à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), responsável pelas investigações do caso onde Rodrigo era vítima.
- Momentos antes da prisão de Pedro Turra, o delegado-chefe da 38ª DP, Pablo Aguiar, chorou durante entrevista coletiva sobre o caso. À época, Pablo disse que sentia a “dor de um pai”.
- Pedro Turra segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda. A defesa já tentou a soltura e também uma cela especial, mas ambos pedidos foram negados.
- Quanto a Rodrigo Castanheira, o enterro do jovem ocorreu nesse domingo (8/2), sob forte comoção. A cerimônia contou com parentes vindos de Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ), além dos familiares do DF.
- Tio de Rodrigo, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury, espera que o caso não caia no esquecimento e pede punição não só a Pedro Turra, mas a um suposto mandante de todo o episódio que tirou a vida do sobrinho.
- Segundo Flávio Henrique Fleury, novas descobertas nas investigações apontam que um amigo do agressor Pedro Turra o convidou para bater em Rodrigo Castanheira por ciúmes, porque Rodrigo estaria se envolvendo com uma ex-namorada desse suposto mandante do crime.
- “Aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dele [adolescente que teria tramado a morte de Rodrigo. Acredito muito que a Justiça vai atrás, vai condenar. Por ele ser menor de idade, acredito que devam ir atrás dos pais dele”, disse Flávio.
Homenagens
Rodrigo Castanheira nasceu em Goiânia (GO), mas veio para o DF ainda pequeno. O jovem estudava no Colégio Vitória Régia, treinava no Centro de Treinamento Arena 61 e chegou a fazer parte da base do Ceilândia Esporte Clube, tradicional time de futebol da capital.
Além de amigos, familiares e pessoas públicas, todas as instituições supracitadas fizeram homenagens a Rodrigo Castanheira.
“Neste momento de luto, nos solidarizamos com os familiares, amigos e pessoas próximas, desejando força, serenidade e conforto para enfrentar essa perda irreparável”, declarou o Ceilândia. “Ao mesmo tempo, o Ceilândia Esporte Clube vem a público expressar seu mais veemente repúdio a qualquer forma de violência.”
O governador Ibaneis Rocha (MDB) prestou condolências à família e classificou o caso como “um episódio profundamente estarrecedor”. “Como pai, senti o coração apertado diante de uma vida tão jovem interrompida de forma tão precoce”, declarou o governador.
A primeira-dama Mayara Noronha Rocha refletiu sobre o ocorrido “Em algum ponto dessa trajetória, faltou aprender que força não é violência, que respeito não se impõe com agressão e que cada escolha carrega um peso que pode durar a vida inteira”, pontuou.
“Que Deus conforte o coração dessa família diante de uma dor impossível de medir. E que essa tragédia nos ensine algo que parece estar se perdendo: respeito, limite e responsabilidade pelas próprias atitudes”, declarou Mayara.




