Em um tempo acelerado, de consumo rápido e pouca escuta, quem ainda se permite a intimidade? Serafim se permite. Aqui pra nós é o novo álbum do artista maceioense e nasce como um convite direto ao ouvinte: sentar perto, ouvir com calma e fazer parte. O título já anuncia o tom do disco: próximo, sincero, sem artifícios, como quem…
Em um tempo acelerado, de consumo rápido e pouca escuta, quem ainda se permite a intimidade? Serafim se permite. Aqui pra nós é o novo álbum do artista maceioense e nasce como um convite direto ao ouvinte: sentar perto, ouvir com calma e fazer parte. O título já anuncia o tom do disco: próximo, sincero, sem artifícios, como quem compartilha algo importante em voz baixa.
Pensado como obra completa, com começo, meio e fim, Aqui pra nós vai na contramão da lógica dos singles e reafirma o álbum como espaço de narrativa, atmosfera e aprofundamento. São canções que se apresentam de forma enxuta e real, buscando pertencimento e identificação a partir da palavra, da emoção e da sonoridade. “A ideia é que o ouvinte se sinta parte das músicas”, aponta Serafim, que constrói o disco como quem abre a própria sala.
Essa narrativa é costurada por “Contando as Horas”, canção que abre e encerra o álbum em duas partes. A música funciona como síntese estética do trabalho ao reunir cordel, aboio e cantoria de viola, elementos fundamentais da trajetória do artista. Dividida em abertura e “Derradeiro”, ela estabelece uma moldura sonora que conduz toda a escuta, fechando o disco com improvisação, força e nordestinidade.
Gravado, produzido, mixado e masterizado integralmente por Thiago Mata e Nayane Ferreira no estúdio Maná Records em Maceió (AL), Aqui pra nós foi realizado por uma equipe formada exclusivamente por artistas alagoanos. A escolha reforça o caráter simbólico e político do projeto: afirmar o valor da produção local e a potência de um fazer artístico enraizado. Para Serafim, ser regional é o caminho para alcançar o universal, e o disco traduz essa ideia tanto na sonoridade quanto no processo.
A presença de Pedro Serafim, irmão do artista, atravessa todo o álbum. Parceiros musicais desde a infância, os dois compartilham referências, gostos e modos de pensar a música. Muitas das canções nasceram quando ainda moravam juntos, e Pedro participa diretamente dos arranjos e instrumentações, imprimindo ao disco uma identidade familiar, orgânica e profundamente conectada.
Em termos estéticos, Aqui pra nós dialoga com a música nordestina produzida nos anos 1970, período marcado pela liberdade criativa e pelas misturas sonoras. Referências como Alceu Valença, Zé Ramalho e Carlos Moura aparecem como base, mas nunca como reprodução. O que interessa a Serafim é o espírito dessa época: a coragem de experimentar, o cuidado com a palavra e a exposição da intimidade como força artística. Ainda assim, o álbum segue por caminhos próprios, filtrando essas influências pelas vivências e atmosferas do presente.
A identidade visual, também assinada por Thiago Mata e Nayane Ferreira, acompanha essa proposta. Com estética retrô, a capa dialoga diretamente com a musicalidade e com o conceito do disco, reforçando a unidade entre som, palavra e imagem.
Faixa a faixa, o álbum se revela como uma escuta contínua. “Contando as Horas” abre o disco reafirmando suas raízes, com cordel, aboio e cantoria de viola em uma estrutura musical forte e marcante.
“Equinócio” transita entre o místico e o pessoal, com violão influenciado por Moraes Moreira e Novos Baianos e um baixo que conduz o andamento da canção.
“Você Chegou” apresenta um samba de amor que foge do óbvio, ganhando contornos nordestinos e a participação de Bruno Palagani no cavaquinho e bandolim. “Tormenta” marca a primeira parceria composicional de Serafim, com letra de Eduardo Proffa, e carrega uma história que cruza música, memória e afetos familiares.
“A-mar” ocupa um lugar sensível no disco, sendo uma das faixas mais emotivas e cuidadosamente construídas. “Frevo Arretado”, feita para o pai do artista, que vive em Recife, é um frevo singular, filtrado por um olhar alagoano e novamente enriquecido pela participação de Bruno Palagani.
“Cantador Poeta” dialoga com a tradição do repente e do cordel na letra, mas escolhe um caminho musical distinto, flertando com o blues rock. Já “Beijos de Capote” é a faixa mais experimental do álbum, parceria com o multiartista Paulo Caldas, trazendo surrealismo para a música, com sanfona de Alisson do Acordeon.
Encerrando o percurso, “Contando as Horas (Derradeiro)” retoma os elementos da abertura para fechar o disco com improvisação, força e identidade, reafirmando os pilares conceituais de Aqui pra nós.
Mesmo dialogando com o passado, o álbum fala diretamente ao Brasil de hoje. Ele afirma que a música nordestina autoral segue viva, relevante e capaz de emocionar.
Aqui pra nós é, acima de tudo, um disco de pertencimento, um convite à escuta atenta e um retrato sincero de um artista comprometido com a palavra, a emoção e a construção de uma atmosfera própria e chega às plataformas de música no dia 9 de fevereiro.
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