À falta, por enquanto e sabe-se lá até quando, de ideias que possam justificar sua candidatura a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passeia pelo mundo e aproveita todas as ocasiões para traçar um perfil negativo do Brasil.
Banha-se nas águas do rio Jordão, em Israel, como seu pai já fez à época de candidato a presidente, para tocar no coração dos evangélicos. Religiosa, de fato, é a madrasta dele, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fala línguas estranhas.
De olho no voto da comunidade judaica, Flávio reza no Muro das Lamentações, em Jerusalém, e posa para fotos ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de extrema-direita, o carrasco dos palestinos em Gaza e onde quer que eles estejam.
À caça de ajuda financeira, Flávio visita países árabes e se veste à moda local. Incursiona por países europeus, onde a extrema-direita governa, e se não governa, está em ascensão. E, naturalmente, atravessa ruas para pisar em cascas de banana.
Por sinal, esse é um hábito de família, pais e filhos. Eduardo, seu irmão, deputado federal cassado por faltar ao trabalho, pisou na casca de uma banana gigante ao transferir-se para o Estados Unidos e aliar-se ao tarifaço aplicado por Donald Trump ao Brasil.
Eduardo acreditou que assim salvaria o pai da condenação por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta da democracia. Resultado: entregou a Lula de mão beijada a bandeira da defesa da soberania nacional. Não bastasse, Trump recuou do tarifaço.
Entrevistado, ontem, ao vivo, e por 30 minutos, pelo principal canal de TV de notícias ligado à ultradireita francesa, além de falar mal do Brasil e de Lula, Flávio atacou o presidente Emmanuel Macron, chamando-o de incompetente. Coisa de fino diplomata.
“É muito importante que todos os franceses tenham conhecimento de que o Brasil hoje não vive uma democracia plena. O presidente Bolsonaro foi condenado por seus próprios inimigos”, afirmou Flávio, citando o ministro Alexandre de Moraes mais de uma vez.
Fez referências às suspeitas de desvios no INSS e mencionou Fábio Luís, conhecido como Lulinha, filho de Lula: “O Brasil passa hoje por graves acusações de roubo de aposentados, sendo que é acusado de desviar dinheiro o filho do presidente Lula”.
Investigadores apuram se havia alguma ligação de Lulinha com o lobista conhecido como Careca do INSS. Lula revelou que disse ao seu filho que se ele tiver algum envolvimento com o escândalo de descontos indevidos de aposentados, “pagará o preço.”
Por fim, Flávio afirmou esperar que a França e o Brasil sejam governados a partir do próximo ano por novos presidentes:
“O Brasil não aguenta mais quatro anos de um governo de extrema esquerda. Assim como a França não aguenta mais um mandato de um governo de extrema incompetência como o de Emmanuel Macron, que tem feito tanto mal a este país”.
Macron não poderá se candidatar a um terceiro mandato na eleição marcada para 2027. A lei proíbe. Flávio acusou Macron de ter ido ao Brasil “apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia”. Macron esteve em Belém duas vezes, em 2024.
Flávio disse ainda que “a região amazônica foi preservada durante o governo do presidente Bolsonaro, e agora no atual governo do presidente Lula, a Amazônia sofreu recordes de queimadas”. Mentiu. Ele não apresentou números a respeito.
Os entrevistadores riram quando Flávio citou como prova da influência da cultura francesa no Brasil as “avenidas largas” das grandes cidades brasileiras e palavras como “bufê, sutiã e batom”.
Vexame!


