Direita pode deixar JHC sem opção do Senado: governo ou Prefeitura


JHC faz reunião do PL para montagem de chapas proporcionais. Reprodução

O jogo da direita em Alagoas começa a produzir efeitos colaterais — e um deles recai diretamente sobre o prefeito de Maceió, JHC. Se a articulação que ganha corpo nos bastidores se confirmar, com Arthur Lira e Alfredo Gaspar ocupando as duas vagas ao Senado pelo campo conservador, o prefeito ficará diante de uma encruzilhada: disputar o Governo do Estado ou permanecer até o fim na Prefeitura.

O vereador Leonardo Dias avisou que Jair Bolsonaro pediu pra votar em Arthur Lira e Gaspar é nome preferido da direita alagoana. Logo os dois tendem a concentrar os votos dos conservadores no Estado.

Não é uma leitura isolada. Nos bastidores, cresce a avaliação de que, caso a chapa Arthur–Gaspar “pegue”, JHC simplesmente deixa de ter espaço competitivo para o Senado. E, sem essa alternativa, a única saída majoritária viável passa a ser o Palácio República dos Palmares.

Nesse contexto, ganha peso a informação que circulou nesta quarta-feira nos sites de política do estado: JHC teria comunicado a vereadores aliados e lideranças políticas que pretende renunciar ao cargo dentro do prazo legal para disputar um cargo majoritário nas eleições deste ano. Segundo o relato, feito em reunião na região da Barra Nova, em Marechal Deodoro, o projeto apresentado foi claro — candidatura ao governo de Alagoas.

O recado teria sido dado de forma objetiva. De acordo com o líder do governo na Câmara de Maceió, vereador Kelmann Vieira, JHC sinalizou que a decisão faz parte de um planejamento político mais amplo, com o objetivo de dar previsibilidade ao grupo e reduzir incertezas internas. Publicamente, o prefeito segue em silêncio. Nos bastidores, acelera.

A movimentação não ocorre no vácuo. Ao mesmo tempo em que a direita se organiza para o Senado — com Arthur Lira sendo tratado como nome indicado por Bolsonaro e Alfredo Gaspar consolidado como principal liderança do campo conservador —, JHC vê seu espaço na majoritária afunilar.

Se antes o prefeito trabalhava com três caminhos possíveis — governo, Senado ou permanência estratégica na Prefeitura —, agora o tabuleiro começa a impor limites mais duros. Com duas vagas ao Senado praticamente ocupadas pelo próprio campo político, sobra pouco espaço para improviso.

A eventual renúncia até 4 de abril, prazo legal para desincompatibilização, também encaixa uma peça já desenhada desde 2024: a ascensão do vice-prefeito Rodrigo Cunha ao comando da Prefeitura. A engenharia foi montada quando Rodrigo deixou o Senado para compor a chapa municipal, abrindo caminho para que Eudócia Caldas, mãe de JHC, assumisse a vaga na Casa. O roteiro previa exatamente isso — alternância planejada de poder.

O que muda agora é o fator externo. Não é apenas uma decisão pessoal de JHC. É o resultado direto da organização da direita, que pode acabar empurrando o prefeito para uma escolha antecipada e sem retorno.

Ou disputa o governo, assumindo o risco de enfrentar uma estrutura pesada liderada pelos Renans, ou permanece na Prefeitura, abrindo mão da eleição majoritária em 2026.

No xadrez político, nem sempre quem escolhe o tempo da jogada é o jogador. Às vezes, é o tabuleiro que decide. Mas essa é outra história.



Fonte: Gazetaweb