Parte da estrada A1, principal ligação rodoviária entre Lisboa e Porto, desabou na região de Coimbra, nesta quarta-feira (11/2), após o rompimento de um dique do rio Mondego, em meio às fortes chuvas que atingem Portugal há semanas. Mais de 3 mil pessoas foram evacuadas preventivamente da região.
Segundo a imprensa portuguesa, o desabamento ocorreu na localidade de Casais, perto de Coimbra, depois que a margem direita do canal do Mondego se rompeu com o aumento do nível do rio. A força da água provocou erosão na base de um viaduto, levando ao colapso de parte da pista. A via já havia sido interditada pela polícia antes do desabamento.
A estrada foi fechada nos dois sentidos entre os acessos de Coimbra Sul e Coimbra Norte. Ainda não há previsão para a liberação do trecho, enquanto técnicos avaliam os danos estruturais e o risco de novos deslizamentos.
O responsável da Proteção Civil Regional, Carlos Tavares, afirmou que a chuva ainda pode provocar o transbordamento da barragem da Aguieira, a 35 km a nordeste de Coimbra, “levantando os diques e causando novas inundações”.
Tempestades desde janeiro
O episódio ocorre em meio a um cenário prolongado de instabilidade climática no país. Desde o fim de janeiro, uma sequência de tempestades tem atingido, principalmente, as regiões central e sul de Portugal, provocando alagamentos, deslizamentos de terra, destelhamentos e cortes no fornecimento de energia.
Centenas de milhares de pessoas ficaram sem luz por dias, e ao menos 15 mortes foram registradas em decorrência dos temporais, incluindo vítimas indiretas.
Nesta semana, mesmo com a redução da intensidade das tempestades anteriores, um fenômeno conhecido como “rio atmosférico” — corredor de umidade que transporta grandes volumes de vapor d’água dos trópicos — voltou a provocar chuvas torrenciais, especialmente no norte e no centro do país, elevando novamente o nível dos rios.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afirmou que as autoridades estão “no limite da capacidade de conter as águas”.
A crise se agrava em um momento de desgaste político. Duas semanas após a tempestade Kristin, que já havia provocado mortes, destruição e críticas à resposta do governo, a então ministra do Interior deixou o cargo na terça-feira (10/2), em meio à pressão da oposição e de autoridades locais, que apontaram falhas na coordenação das ações emergenciais.

