Centenas de pessoas se reuniram na praça principal de Tumbler Ridge, no nordeste da Colúmbia Britânica, no Canadá, nesaa quarta-feira (11/2), para homenagear as oito vítimas do massacre na escola da cidade, um dos mais letais da história recente do país, ocorrido na terça-feira (10/2).
A atiradora, identificada pela polícia como Jesse Van Rootselaar, tinha 18 anos e foi encontrada morta no estabelecimento após se matar com um tiro. Ela carregava uma arma de cano longo e um revólver.
A polícia encontrou corpos de cinco crianças, de 12 e 13 anos, e de uma professora no colégio. Antes do massacre, Van Rootselaar também matou a mãe e o meio‑irmão, de 11, que estavam em casa.
Além das oito pessoas mortas, cerca de 25 ficaram feridas, sendo duas em estado grave. Tiroteios em escolas são raros no Canadá, que tem leis rigorosas conta armas de fogo.
O prefeito de Tumbler Ridge, Darryl Krakowka, afirmou que era crucial que a comunidade permanecesse coesa e se apoiasse. “É como uma grande família”, declarou à multidão. “Vamos precisar do apoio de vocês”, disse às pessoas reunidas.
Tumbler Ridge é um município remoto, com cerca de 2,3 mil habitantes, situado aos pés das Montanhas Rochosas, no norte da Colúmbia Britânica, a cerca de mil quilômetros de Vancouver. Quase todos os moradores da cidade têm algum vínculo direto com o estabelecimento onde ocorreu o tiroteio.
“As escolas deveriam ser seguras”, declarou Gigi Rejano, funcionária de um restaurante local, durante a vigília em homenagem às vítimas. A escola “é o lugar onde as crianças deveriam ir para aprender, estar seguras, estar com seus colegas e se tornarem adultas”, lamentou o prefeito.
Ele teme que Tumbler Ridge fique para sempre associada a esse massacre. “Estamos aqui para apoiar essas famílias, para sempre”, declarou — preocupação compartilhada por outros moradores. “O caminho daqui para a frente é estar ao lado das famílias enlutadas”, afirmou o aposentado Kevin Matthews, que vive há 20 anos na cidade.
Após a cerimônia, a população depositou velas, flores ou bichos de pelúcia debaixo de uma árvore, onde já haviam sido colocadas fotos de algumas das vítimas. “Isso não é justo”, repetia uma das adolescentes que acompanhou a homenagem.
Atiradora tinha distúrbios mentais
Segundo a polícia canadense, Jesse Van Rootselaar era transgênero e tinha distúrbios mentais. “Jesse nasceu biologicamente homem e começou sua transição há cerca de seis anos”, explicou Dwayne McDonald, comissário‑adjunto da polícia canadense, em uma coletiva de imprensa.
Segundo ele, Jesse “se identificava socialmente e em público como mulher”. Ela foi encontrada morta na escola.
“Ainda não temos nenhuma ideia do motivo”, declarou o policial. A polícia “esteve em sua residência diversas vezes nos últimos anos, devido a problemas de saúde mental”, acrescentou.
Jesse Van Rootselaar estava fora da escola havia “cerca de quatro anos”, completou. “A investigação ainda está em andamento e precisamos dar às autoridades o tempo e o espaço necessários para realizar seu trabalho”, pediu Mark Carney.
Em uma declaração conjunta, os líderes da assembleia legislativa da Columbia Britânica decretaram esta quinta-feira como dia de luto.O Discurso do Trono, previsto inicialmente para amanhã e que marcaria o início da sessão legislativa da primavera, foi adiado e será substituído por uma fala em homenagem às vítimas. Ao meio-dia, a assembleia legislativa fará um minuto de silêncio.
“O povo da Colúmbia Britânica lamenta junto com o povo de Tumbler Ridge. Estamos unidos e continuaremos a garantir todo o apoio possível aos membros da comunidade nos próximos dias”, diz a declaração.
“Vamos superar esta prova e tiraremos lições dela”, prometeu Mark Carney, pedindo “união” aos canadenses. O chefe de governo também denunciou um ato de “crueldade inaudita” que mergulhou a nação “na estupefação” e “no luto”, diante do Parlamento, onde foi observado um minuto de silêncio. As bandeiras dos edifícios governamentais ficarão a meio‑mastro durante uma semana.
A família real britânica afirmou estar “profundamente chocada e entristecida” com a tragédia, em um comunicado do rei Charles III, que também é chefe de Estado do Canadá. Este é o segundo ataque na Colúmbia Britânica em menos de um ano. Em abril de 2025, um homem matou 11 pessoas em Vancouver ao avançar com seu caminhão contra a multidão.
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