“Errou ao manusear”: sócio culpa manobrista por intoxicação em piscina


Celso Bertolo Cruz, um dos sócios da academia onde a professora Juliana Bassetto foi intoxicada antes de morrer, culpou exclusivamente o manobrista Severino José da Silva pela falha no manuseio do cloro na piscina do estabelecimento. Durante depoimento, o sócio afirmou ter “absoluta certeza que Severino errou ao manusear cloro em pó nas proximidades da piscina” e causou as intoxicações no estabelecimento.

Ao delegado Alexandre Bento, titular do 42° Distrito Policial (Parque São Lucas), Celso informou que, desde 2023, é certificado para manutenção e cuidados de piscinas. Ele acrescentou que a habilitação permite que ele instrua outra pessoa a realizar o serviço e que o manobrista atuava sob sua supervisão.

No entanto, quando questionado pelos policiais sobre imagens em que Severino aparece destampando e chacoalhando um balde com cloro em pó nas proximidades da piscina, o sócio negou responsabilidade e condenou o manobrista. Severino, por sua vez, argumentou à polícia que não possui conhecimento para a função e que só seguia instruções de Celso.

O funcionário relatou que não jogava o produto na piscina e que apenas fazia medições, fotos e a mistura do produto, que era levado para a borda da piscina a pedido do contratante. O uso impróprio e excessivo do cloro fez pelo menos sete vítimas de intoxicação, segundo a polícia.

Além de Celso e Severino, outros dois sócios da academia, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, prestaram depoimento nessa quarta-feira (11/2). A Polícia Civil investiga o caso e analisa as versões.

Para o delegado Alexandre Bento, Severino “foi manipulado” pelo administrador da academia e não deve responder criminalmente pelas intoxicações. “O Severino apenas foi utilizado, ele foi manipulado pelos sócios da empresa e sequer pode ser responsabilizado pelo homicídio culposo. O entendimento é que ele não responderá por nenhum crime”, explicou.

Segundo ele, os proprietários da academia C4 Gym visavam apenas o lucro máximo e não se importavam com alunos e funcionários. As especificações técnicas apontam que “a carga de cloro que usavam em um dia era para uma semana”, como forma de maquiar a água e a piscina nunca fosse fechada.

Os três foram indiciados e a polícia solicitou a prisão temporária dos suspeitos por homicídio doloso. A corporação aguarda decisão judicial.


Morte após aula de natação

  • No último sábado (7/2), uma aluna morreu e ao menos outras seis pessoas foram internadas em estado grave após nadarem na piscina da C4 Gym, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo.
  • Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula de natação.
  • Ela estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que também sentiu mal-estar na piscina.
  • Eles comunicaram o professor responsável e, depois da aula, foram, por conta própria, ao Hospital Santa Helena, de Santo André, no ABC paulista.
  • No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
  • O fato foi registrado em boletim de ocorrência no 6º Distrito Policial de Santo André.
  • Há ainda o registro de ao menos outra pessoa internada em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
  • O menor de idade foi levado pelo pai ao hospital e ele também nadou na piscina da academia, onde apresentou dificuldade de respirar.
  • Aluna de 29 anos foi internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia.

“Impossível de respirar”

Um dos alunos que estava na aula de natação relatou ao Metrópoles o que aconteceu enquanto estavam na piscina. O advogado Eduardo Esteves Rossini, de 37 anos, disse que funcionários da academia C4 Gym fizeram uma mistura de cloro em um balde e deixaram ao lado da piscina.

“Jogaram alguma coisa que deu reação química. Sentimos queimar os olhos, nariz, garganta e pulmões. Ficou impossível de respirar”, afirmou.

Segundo Rossini, quem estava mais próximo ao balde sofreu mais — a mulher que morreu, o marido dela e o adolescente, que foram internados em estado grave. “Eles inalaram mais”, disse.

O advogado procurou atendimento médico na ocasião e precisou retornar ao hospital, nessa segunda-feira (9/2), devido a uma piora no quadro de saúde. “Acordei com a garganta muito inflamada e expelindo um pouco de sangue. Estou tomando algumas medicações e fazendo exames”, relatou.

Vídeo mostra desespero de alunos

Câmeras de segurança flagraram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Nas gravações (veja abaixo), é possível ver as vítimas sendo retiradas da água com dificuldades de movimento e respiração.

Outra câmera filmou Juliana sendo levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estivesse tonta e parece tossir.

Em nota, a direção da Academia C4 Gym destacou que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.



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