A empresa do ex-goleiro Doni, que teve passagens pela seleção brasileira e por clubes da Europa, tornou-se alvo da Justiça nos Estados Unidos após ser acusada de não cumprir contratos que previam a construção de imóveis na Flórida.
A D32 Wholesale LLC, empresa do ex-atleta Donieber Marangon e de seu sócio Werner Macedo, é processada por diversos investidores por não entregar projetos imobiliários e não devolver os valores pagos.
Alguns ex-jogadores estão na lista desses investidores. O Metrópoles teve acesso aos números.
O que mais investiu no empreendimento foi o ex-goleiro Diego Alves, multicampeão com o Flamengo: ele colocou US$ 3.929.298, o segundo maior investidor no geral. Já o ex-volante Lucas Leiva, revelado pelo Grêmio e com uma passagem marcante pelo Liverpool, investiu US$ 2.258.000 no empreendimento.
Outros ex-atletas também colocaram dinheiro no negócio: a empresa de Fellype Gabriel, ex-meia revelado pelo Flamengo e com passagens por Botafogo e Palmeiras, repassou US$ 1.100.000 dólares, enquanto a de Renato Abreu, outro que teve passagem marcante pelo clube da Gávea, investiu US$ 600 mil.
William Arão, volante atualmente no Santos, investiu US$ 200 mil. Ele confirmou que abriu um processo contra a empresa D32
A expectativa era de que Arão recebesse 1,14% de participação, mais 15% do que foi investido em até 18 meses. O projeto, no entanto, foi abandonado, segundo relato da defesa do jogador nos Estados Unidos.


Doni e o sócio Werner Macedo
Reprodução/Redes sociais

Doni e o sócio Werner Macedo
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Doni também atuou na Roma, da Itália.
Etsuo Hara/Getty Images

Doni e o sócio Werner Macedo
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Doni e o sócio Werner Macedo
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Doni e o sócio Werner Macedo
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Doni e o sócio Werner Macedo
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Doni e o sócio Werner Macedo
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Doni foi titular da Seleção Brasileira na Copa América de 2007.

Goleiro atuou por diversos clubes da Europa.
John Walton – PA Images via Getty Images
No total, 35 empresas investiram no empreendimento, que totalizaram US$ 23.550.988 nas contas da empresa de Doni.
Após meses de não comparecimento dos sócios perante a Justiça americana, o Tribunal do Condado de Orange realizou uma audiência na última terça-feira (10/2) com os advogados da empresa de Doni e dos investidores prejudicados e marcou novos depoimentos para o início de maio.
Acusação de golpe
O ex-goleiro é acusado de golpe nos Estados Unidos. O brasileiro enfrenta processos ligados à atuação como empresário de construção civil em solo americano.
Doni e um sócio, chamado Werner Macedo, captava recursos para construção de casas na Flórida. A promessa era que os investimentos com a dupla rendessem 15% ao ano. No entanto, os empreendimentos nunca saíram do papel.
Uma das empresas no nome de Werner e Doni, a WD Invest, anuncia diversos investimentos imobiliários de médio e alto padrão, de acordo com material revelado pelo O Globo. Um desses empreendimentos é em Silver Springs Shores, próximo a Orlando, na Flórida, lançado em 2022.
O Camila Homs previa a construção de 529 casas além de um campo de golfe. Apesar de as obras estarem paradas ou abandonadas, investidores continuaram recebendo relatórios financeiros que indicavam lucros. Essas informações agora são contestadas na Justiça dos EUA.
Quem é Doni
- Doni iniciou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto, em 2001, participando da campanha que levou o Pantera ao vice-campeonato paulista daquele ano.
- Atuou por Corinthians, Santos, Cruzeiro, Roma e Liverpool.
- Em 2013, ele anunciou que retornaria ao Botafogo, mas encerrou a carreira antes de voltar ao clube que o revelou por conta de problemas cardíacos.
- Pela Seleção Brasileira, Doni foi titular na campanha vitoriosa da Copa América de 2007.
- Além disso, foi campeão da Copa do Brasil (2002) e do Paulistão (2003) pelo Corinthians e esteve no elenco do Santos que conquistou o título do Brasileirão em 2004.
O que diz o ex-goleiro Doni
Em nota enviada ao Metrópoles, Doni Marangon disse causar estranheza a divulgação de informações “imprecisas” associadas ao seu nome. O ex-goleiro negou que tenha existido um pedido de prisão contra ele.
Segundo o ex-atleta, a incorporadora da qual é sócio há mais de oito anos, na Flórida, passa por um processo de reestruturação societária e administrativa. O movimento empresarial envolve a revisão e renegociação de contratos sob a nova gestão.
Nesse contexto, de acordo com Doni, “surgiram divergências comerciais pontuais com determinados clientes — situação comum em empreendimentos de grande porte —, todas submetidas regularmente à apreciação do Poder Judiciário e tratadas de forma técnica e dentro da legalidade”.
“A atuação jurídica da empresa tem sido diligente e transparente, com total colaboração às autoridades competentes, visando à adequada condução dos processos e à continuidade da reestruturação em curso”, completa o texto.


