Você já viu uma imagem ou assistiu a um vídeo e, só depois, ficou em dúvida se aquilo foi criado por uma pessoa ou por Inteligência Artificial? Essa sensação tem se tornado cada vez mais frequente e não é por acaso. O avanço das ferramentas de IA tornou o conteúdo digital mais realista e difícil de identificar. Hoje, fotos, áudios e até rostos podem ser produzidos artificialmente com poucos comandos. O que antes exigia conhecimento técnico agora está ao alcance de qualquer pessoa conectada à internet.
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Essa incerteza aparece inclusive entre adolescentes, já familiarizados com o ambiente digital. Um estudo citado pela CNN Brasil, realizado com mais de mil jovens entre 13 e 18 anos, indica que 35% já foram enganados por conteúdos falsos; 28% relataram dúvidas ao interagir com pessoas ou chatbots; e 22% compartilharam informações que depois descobriram não serem verdadeiras. Os dados mostram que a alta exposição às telas não garante compreensão sobre o funcionamento das tecnologias e que o uso frequente não significa, necessariamente, capacidade crítica para interpretar o que se consome.
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Os alertas sobre os riscos costumam ganhar destaque em períodos eleitorais ou em debates sobre a disseminação de notícias falsas com motivações políticas. No entanto, o cenário atual das redes sociais revela um desafio ainda mais amplo. Conteúdos aparentemente banais também podem ser gerados por IA. Vídeos sobre comida, animais, fenômenos da natureza ou temas cotidianos muitas vezes são produzidos por algoritmos, e isso tem dificultado cada vez mais a distinção entre o que é autêntico e o que foi fabricado digitalmente.
Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, esse cenário evidencia um desafio urgente de letramento digital. “É preciso preparar jovens e adultos para entender não apenas o que a tecnologia faz, mas como e por que ela funciona. Isso envolve competências técnicas, éticas e críticas, como reconhecer vieses, identificar falhas em conteúdos gerados por IA e refletir sobre o papel dessas ferramentas na aprendizagem e no cotidiano”, afirma.
Segundo o especialista, os sistemas de Inteligência Artificial operam a partir de dados, algoritmos e modelos treinados para reproduzir padrões humanos. “Quando alguém compreende lógica e programação, entende também que a IA não ‘pensa’ ou ‘cria’ como imaginamos. Ela replica padrões. Esse conhecimento estimula o questionamento, a análise e reduz a aceitação automática de informações”, completa.
A construção de um ambiente digital mais confiável vai além das ações da indústria de tecnologia. Embora segurança e transparência sejam fundamentais, elas não substituem a formação crítica dos usuários. Nesse sentido, a educação tecnológica assume um papel central ao capacitar crianças e adolescentes a interpretar o funcionamento dos sistemas, reconhecer riscos e fazer escolhas mais conscientes. Esse processo exige a atuação conjunta de educadores, famílias, formuladores de políticas públicas e dos próprios jovens. “Ensinar tecnologia é garantir que as novas gerações saibam interpretar, questionar e se posicionar diante de um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes”, conclui Giroto.
Saber diferenciar o que é real do que é sintético deixa de ser apenas uma habilidade técnica e passa a ser essencial para a preservação da credibilidade das redes e da informação. Preparar as novas gerações para esse desafio é fundamental para que a inovação continue sendo uma aliada, e não um fator de insegurança na cultura digital.



