Foram dois clássicos e dois jogos dentro do jogo, Barroca x Itamar. O primeiro, lá na 5ª rodada, terminou 1×1, e teve um recado claro, favoritismo não entra em campo sozinho. O CSA interrompeu o 100% do CRB e, de quebra, o Galo furou a invencibilidade da defesa azulina. Na leitura deste blog , Itamar levou vantagem naquele dia. Surpreendeu com o jogo direto nas costas da última linha e por pouco não transformou isso em vitória. No 1º clássico, a diferença foi a leitura do espaço. O CSA foi mais agressivo nas costas da defesa, e o CRB demorou a ajustar.
Na quarta-feira a história virou. Era o jogo do estudo, da análise, do ajuste fino. Eduardo Barroca levou a melhor. Com a defesa completa e mais dias de trabalho, neutralizou os pontos fortes do CSA, tirou oxigênio da transição azulina e ainda quase surpreendeu o rival na bola parada, que é a principal marca do time de Itamar. Wellerson salvou.
O adiamento foi tempo de correção para o CRB, e para o CSA foi tempo de rodar elenco ( COPA ALAGOAS) e repetir estratégia. Só que repetir sem novidade, contra um adversário pressionado, vindo de três jogos sem vencer e com o penta ameaçado, costuma cobrar juros. Resultado, CRB 2×0, com cara de time que entendeu a urgência.
Na prática, sábado é isso, cenário invertido e jogo decidido no detalhe. Futebol tem dessas nuances que Nelson Rodrigues chamava de última flor do impossível, aquela que nasce quando a lógica já estava toda escrita.
O CSA entra pressionado. A meta é objetiva, chegar à final, garantir calendário e, no pacote emocional do torcedor, impedir o penta do rival. Com pouco tempo para treinar, Itamar precisa ser cirúrgico. Ainda não fechou a conta a insistência em manter os dois volantes mesmo com superioridade numérica em momentos do último clássico. Há méritos no trabalho, é início de projeto, time praticamente novo e uma plataforma que não muda, 1-4-2-3-1. Só que semifinal pede decisão de treinador, não só coerência de modelo.
Sem Ronaldo Mendes, pode surgir novidade. Mateus Melo é um caminho. A questão é desenho, ele entra no lugar de Dudu, ou Itamar tira um extremo para ganhar jogo por dentro? Outra alternativa é Rian como extremo para dobrar com Marcos Ytalo e atacar corredor com mais agressividade. O ponto central é simples, o CSA vai precisar ser propositivo. Só que a identidade do time até aqui é reatividade, velocidade e transição. Ser propositivo de verdade exige mecanismo interno, um meia por dentro que receba, gire, atraia e solte o lado no tempo certo. Se não encontrar isso, vira posse passiva, e posse passiva é o cenário que o CRB quer.
Do lado do CRB, a primeira missão de Barroca começou na descida para o vestiário. O que mais se ouviu foi “pé no chão”. E faz sentido. Foi só o primeiro tempo da decisão. Agora ele precisa ajustar o que tentou e não encaixou, principalmente no primeiro tempo, quando o encaixe ainda não estava no ponto ideal. A informação de que o CRB treinou pênaltis não é detalhe, é sinal de respeito ao tamanho da semifinal.
João Neto é o substituto natural de Mikael, não parece que vai ter surpresa aí. E tem memória que pesa em decisão, na final da Copa do Nordeste contra o Fortaleza, o CRB viu que desvantagem e estádio contra podem virar combustível. João Neto foi personagem naquele roteiro e levou a decisão para os tiros livres.



