Alvo da Polícia Federal na Farra do INSS e suspeito de ser sócio oculto de uma das entidades envolvidas na fraude dos descontos indevidos, o empresário Tiago Schettini Batista está nos Estados Unidos e ainda não foi preso.
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A defesa dele, por sua vez, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogue a prisão preventiva, decretada em dezembro, na última fase da Operação Sem Desconto. O pedido, contudo, ainda não foi apreciado.
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Ele explicou ao ministro André Mendonça que está nos EUA a trabalho e que já tem passagens para retornar ao Brasil.
Tecnicamente, Tiago Schettini não pode ser considerado foragido, uma vez que já estava fora do país quando teve o pedido de prisão decretada.
Procurada, a advogada Laura Azevedo Marques, que faz a defesa do empresário, afirmou que não comenta processos em andamento, especialmente as ações que estão em sigilo, como é o caso do inquérito da Operação Sem Desconto.
Sócio oculto do Careca do INSS e operador da fraude
A Polícia Federal (PF) afirma que Schettini e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, eram sócios ocultos e controlavam a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca (CBPA), investigada por fraudar os descontos de mensalidade nas aposentadorias do INSS.
“As evidências reunidas na investigação demonstram, de forma clara e consistente, que Gabriel Negreiros, Antonio [Carlos] Camilo Antunes e Tiago Schettini atuam como donos de fato da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA)”, diz a PF.
Para a PF, a CBPA era usada como tomadora de serviços que, na realidade, não eram prestados. As notas fiscais eram emitidas pela ACCA Consultoria a mando de Tiago Schettini. A empresa em questão pertence ao Careca do INSS.
Os investigadores também identificaram que Tiago Schettini recebeu mais de R$ 2 milhões de outra entidade envolvida na fraude do INSS, a União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (Unaspub) – R$ 1,1 milhão apenas em março de 2024. Segundo a PF, Tiago Schettini recebeu R$ 6,1 milhões do Careca do INSS.
A PF viu indícios de que, antes da deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto contra o escândalo do INSS, em abril do ano passado, o Careca do INSS blindou Tiago Schettini. Além de exercer função operacional no esquema, Schettini recebia parte dos lucros, como um sócio.
Atuação de Schettini na lavagem de dinheiro
Segundo os investigadores, uma das empresas usadas pelo Careca do INSS “para dar aparência de legalidade às operações financeiras” e atender a aposentados lesados pelo esquema, chamada ACDS Call Center, tinha participação direta de Tiago Schettini, sustentada por um contrato de gaveta.
“O próprio Antonio [Carlos Antunes, o Careca do INSS] confirma, em áudio, que dividiria com Tiago [Schettini] dois terços das cotas destinadas ao ramo, evidenciando que este não apenas participava dos lucros, mas era coproprietário de fato de uma estrutura montada para reciclar os valores indevidos apropriados pela organização.”
Schettini não era mencionado de forma ostensiva nas mensagens e não aparecia nos negócios, porque já estava envolvido em outro esquema fraudulento no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
“Esse comportamento demonstra não apenas a intenção de blindá-lo, mas, também, o reconhecimento de que sua posição dentro do grupo demandava ocultação para evitar detecção por órgãos de persecução penal”, afirma a investigação.
Para os investigadores, Schettini possuía status equivalente ao próprio Careca do INSS, ainda que atuasse com maior cautela na ocultação da sua própria participação no esquema criminoso.
Tiago Schettini faltou à CPMI do INSS
Em novembro do ano passado, uma reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a fraude do INSS chegou a ser cancelada após Schettini apresentar habeas corpus. Com o benefício concedido pelo STF, ele ficou desobrigado de comparecer perante o colegiado.



