O Paquistão lançou ataques aéreos contra Cabul e Kandahar, nesta quinta-feira (26/2), horas após forças afegãs atacarem tropas de fronteira paquistanesas. O governo talibã classificou a ação como retaliação a ataques anteriores que causaram mortes. Em seguida, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o Talibã.
“Nossa paciência chegou ao limite. De agora em diante, é guerra aberta entre nós e vocês”, declarou Asif.
Ambos os exércitos relataram dezenas de soldados mortos nos confrontos ao longo da fronteira.
Na capital afegã, explosões e sobrevoos de jatos foram ouvidos por mais de duas horas. Em Kandahar, segunda maior cidade do Afeganistão e sede de poder do Talibã, jatos paquistaneses sobrevoaram áreas próximas à residência do líder supremo talibã Hibatullah Akhundzada.
Operações ofensivas em larga escala
Civis também ficaram feridos perto da passagem de Torkham, incluindo sete refugiados retornando do Paquistão, e uma mulher em estado grave. O porta-voz talibã Zabihullah Mujahid confirmou os ataques e anunciou que o governo afegão conduzirá “operações ofensivas em larga escala” na fronteira em resposta às violações militares paquistanesas.



Explosão no maior hospital militar do Afeganistão deixou 19 mortos e 50 feridos
Reprodução/Twitter
As relações entre os dois países se deterioraram nos últimos meses. Desde os confrontos mortais de outubro, que deixaram mais de 70 mortos, a fronteira terrestre permanece praticamente fechada. Tentativas de cessar-fogo mediadas pelo Catar, Turquia e Arábia Saudita não resultaram em acordos duradouros.
O Paquistão acusa o Afeganistão de não agir contra grupos militantes responsáveis por atentados dentro do país, incluindo um ataque a uma mesquita xiita em Islamabad que matou pelo menos 40 pessoas, reivindicado pelo Estado Islâmico. O Talibã nega as acusações e afirma que suas operações são apenas em defesa do território afegão.



