Cantareira tem respiro no mês e Sabesp pode tirar mais água em março


Com o respiro em fevereiro do Sistema Cantareira, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) autorizou a Sabesp a retirar mais água do reservatório a partir deste domingo (1º/3). Segundo as autoridades responsáveis pela gestão dos recursos hídricos, o sistema sai da Faixa 4, de restrição, e entra na Faixa 3, de alerta.

Na prática, isso significa que a Sabesp poderá retirar até 27 m³/s a partir deste domingo, ante 23 m³/s, além da vazão proveniente do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, de acordo com o limite outorgado.

Em fevereiro, o Cantareira saiu de 22,7% para atingir 35,8% de sua capacidade total, um ganho de 128,57 bilhões de litros. Como comparação, a água recuperada pelo sistema ao longo dos 28 dias é suficiente para abastecer cerca de 21,7 milhão de pessoas ao longo de um mês. Atualmente, a população da Grande São Paulo está sob a gestão noturna de pressão, com redução da água das 19h às 5h.

Vale ressaltar que os meses de janeiro, fevereiro e março fazem parte da estação chuvosa e são fundamentais para promover a recuperação dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo. A área do Cantareira recebeu chuva acima da média histórica neste mês (244,8 mm, ante 200,8 mm), o que foi fundamental para equilibrar a vazão natural nas represas que o compõem, recebendo 72,64 m³/s, quase três vezes o volume retirado.

A situação do Cantareira ainda é crítica. No último dia de fevereiro de 2025, o reservatório tinha 586 bilhões de litros, representando 59,7% da capacidade. Agora são 351 bilhões (35,8%). A diferença é suficiente para abastecer uma população equivalente à da cidade de São Paulo por pouco mais de três meses.

A melhoria no Cantareira influenciou também o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) como um todo, que opera neste sábado (28/2) com 48,2% da capacidade total.

Ao divulgarem a mudança de faixa, as autoridades reafirmaram a necessidade de economia de água. “A ANA e a SP Águas reforçam a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda pela Sabesp no âmbito dos serviços de abastecimento de água tanto para redução do consumo de água e de perdas quanto para o estímulo ao uso racional do recurso pela população”, disseram. “As agências recomendam, ainda, a adoção de medidas de uso racional de água pelos demais usuários para preservar o volume de água armazenado nos reservatórios do sistema.”



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