A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) instalou a primeira estação sismológica de Arapiraca. O equipamento foi colocado no Polo Tecnológico Agroalimentar da cidade há quatro dias. A iniciativa é resultado de parceria entre a Uneal e o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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O sismógrafo realiza monitoramento permanente de tremores de terra na região. O aparelho possui um sensor conectado ao solo que capta os abalos sísmicos.
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“Ele tem um sensor que conecta ao chão e é ele que recebe as ações, os tremores, e aí ele envia para um banco de dados, que ainda compartilha esse banco de dados com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, E lá a gente faz as análises e aí transforma esse dado bruto numa informação mais completa, já com análise, e aí a gente mede o sismo, a intensidade, o local, tudo isso a partir do que é captado pelo aparelho”, explicou um representante da Uneal sobre o funcionamento do equipamento.
As informações coletadas são enviadas para um banco de dados compartilhado com a UFRN. Os dados brutos são transformados em análises sobre intensidade, localização e características dos sismos.
Tremores aumentaram após 2021
A instalação ocorreu após o aumento de registros de tremores de terra no Agreste. Os abalos sísmicos foram registrados especialmente em Craibas e Feira Grande. A população de Arapiraca sentiu os tremores. Moradores da zona rural relataram danos estruturais.
Estudos iniciados em 2023 apontam a necessidade de um monitoramento mais preciso e contínuo na região. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte forneceu informações de que não havia registro de sismos na região de Arapiraca até 2021.
“A principal motivação foi essa. A população de Arapiraca sentiu esses tremores e aí fez com que a gente refletisse, porque não havia notícias de tremores na cidade de Arapiraca antes desse período”, explicou um representante da Uneal.
Os abalos sísmicos ocorrem desde o início da atividade de exploração de cobre pela mineração Vale Verde. Pesquisas realizadas pelo Núcleo de Estudos em Geografia e Meio Ambiente da Uneal buscam avaliar possíveis relações entre a atividade extrativa e os danos estruturais relatados.
“A gente conseguiu essas informações a partir desse contato com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a gente conseguiu informação, por exemplo, de que não havia nenhum sismo na região da Arapiraca até 2021. E a partir daí é que passou a ter a partir da atividade da mineração, é que teve esse sismo”, afirmou o representante da Uneal.
“Então a gente resolveu fazer essas pesquisas para saber qual essa relação”, afirmou sobre a investigação da possível conexão entre a atividade de mineração e os tremores de terra.
Ampliação da rede de monitoramento
O equipamento integra a rede de acompanhamento da atividade sísmica no Agreste alagoano. A estação amplia a capacidade de produção de dados sobre a dinâmica geológica da região. Uma estação sismológica já existe em Anadia desde 2012.
Arapiraca passa a contar com o registro permanente dos eventos sísmicos. O equipamento permitirá análises técnicas detalhadas sobre magnitude, profundidade e localização dos abalos. Os dados coletados vão contribuir para pesquisas científicas, planejamento territorial e ações preventivas por parte do Poder Público.
A Uneal planeja a instalação de uma sala de monitoramento no Agreste de Alagoas. A universidade pretende montar uma estação de monitoramento, oferecer cursos e criar o curso de geofísica. Existem projetos que envolvem investimentos em equipamentos e em pessoal.
“Ele pretende montar uma estação de monitoramento, pretende fazer cursos, pretende, inclusive, criar cursos na União para isso, como, por exemplo, o curso de geofísica. Para isso, a gente está, conta com o apoio da reitoria, a gente já tem alguns planos, já tem projetos que envolvem investimentos em equipamentos e em pessoal. Então, a gente acredita mesmo que a gente possa contribuir com a sociedade alagoana, principalmente aqui no Agreste”, declarou o representante da instituição.



