O “silêncio” de JHC vai acabar em breve


JHC usa intensamente as redes sociais. Reprodução Instagram

Quem acompanha minimamente a política alagoana já percebeu um padrão. O prefeito de Maceió, JHC, não é exatamente um entusiasta de entrevistas. Quando fala, geralmente é pela telinha do celular, para as redes sociais. Nas entrevistas, prefere veículos que orbitam seu próprio grupo.

Nos temas mais difíceis, a estratégia costuma ser ainda mais simples: silêncio.

A regra parece ser direta: se o assunto pode gerar desgaste, o melhor caminho é deixar o tempo passar. Mas um desses silêncios está com os dias, ou talvez horas, contados.

Trata-se da posição de JHC na disputa presidencial deste ano. Embora seja filiado ao PL, partido que abriga o bolsonarismo e trabalha a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto, o prefeito de Maceió vem adotando uma postura de cautela ou cuidadosamente ambígua – como preferem os analistas da política.

Nos bastidores de Brasília, há meses circula a versão de que teria existido um entendimento político entre JHC e o presidente Lula. O suposto acordo envolveria a indicação da tia do prefeito, a procuradora do MP, Marluce Caldas, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. A nomeação acabou se concretizando.

A leitura feita por muitos atores políticos é direta. O gesto institucional teria vindo acompanhado da expectativa de alinhamento político futuro.

Esse cenário ganhou ainda mais combustível quando, durante a entrega de apartamentos em Maceió, JHC fez elogios a Lula e sinalizou que uma aproximação: “A política tem que ter menos apontar de dedos e mais estender as mãos”, disse o prefeito durante ato com Lula em 23 de janeiro deste an.

A fala foi registrada e circulou amplamente nos meios políticos, chamando atenção dentro de um partido que se coloca como oposição ao governo federal. Dentro do PL, a cobrança começou a crescer.

O pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) tem cobrado internamente um posicionamento do prefeito de Maceió. Na avaliação de dirigentes do partido, não faz sentido que um dos principais quadros da legenda no Nordeste permaneça em silêncio justamente quando o campo político começa a se organizar para 2026.

O desconforto não se limita à disputa presidencial. Entre bolsonaristas, também há incômodo antigo com a postura de JHC em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em diferentes momentos, o prefeito evitou gestos políticos mais claros. Bolsonaro esteve em Alagoas em algumas ocasiões e não foi recebido pelo prefeito da capital, algo que não passou despercebido entre apoiadores do ex-presidente.

Outro episódio citado por aliados de Bolsonaro foi a ausência de manifestações públicas de solidariedade quando o ex-presidente enfrentou decisões judiciais, incluindo o período de sua prisão. Enquanto lideranças do PL se mobilizavam nas redes e nos palanques, JHC optou novamente pelo silêncio.

Na política, silêncio também fala.

E, neste momento, o silêncio de JHC começa a incomodar tanto bolsonaristas quanto dirigentes do próprio partido. A pressão cresce para que o prefeito diga, com todas as letras, de que lado estará na disputa presidencial ou haverá consequências.

E, como revelou Flávio em suas anotações indiscretas vazadas para a imprensa, a conversa com JHC será feita até o dia 15. Por aqui chega a informação que ela será antes disso. Bem antes. Mas essa é outra história.



Fonte: Gazetaweb