CRB penta com plano, elenco e execução


O penta não caiu do céu. Foi construído.. — Divulgação/CRB

O placar agregado de 4 a 1 para o CRB diz muita coisa. Diz sobre consistência, superioridade técnica e força de elenco. Só que final não se explica só pelo placar. Final se entende nos detalhes.

Não era novidade para ninguém que o CRB tinha um elenco mais qualificado que o ASA. A diferença apareceu ainda mais em duas semanas pesadas, espremidas entre finais de estadual e Copa do Brasil. Nesse cenário, quem tem mais opções, mais repertório e mais resposta individual larga na frente.

No primeiro jogo, o ASA chegou mais desgastado. Vinha de uma decisão no meio de semana contra o Operário, com eliminação e carga física e emocional evidente. O CRB, não. Barroca percebeu isso e tratou internamente a ida como jogo para ser atacado com força máxima, mesmo dentro de uma decisão de 180 minutos. E foi aí que o time empurrou a final para o lado vermelho.

Os números ajudam a provar isso. No primeiro jogo, o CRB registrou 93 sprints, o maior número da temporada até aqui. Também alcançou a maior distância em ações de alta velocidade, com 1917 metros acima de 25 km/h e 281 metros acima de 30 km/h. Em linguagem mais simples, o CRB jogou a ida acelerando o confronto no limite, impondo intensidade para construir a vantagem logo ali. Não foi acaso, foi plano.

ASA NO 1-5-3-2 – NOVIDADE TÁTICA DA PRIMEIRA PARTIDA FINAL.. MARLON ARAUJO – TACTICAL PAD

Do outro lado, Dico Woolley tentou proteger o ASA. Armou uma linha de cinco, com três zagueiros, tentando segurar o ímpeto regatiano e levar a decisão viva para Arapiraca. O problema é que o time já vinha com o 4-2-3-1 muito automatizado. Quando precisou mudar a estrutura em cenário de desgaste, faltou naturalidade. O resultado foi um 3 a 0 que poderia até ter sido maior.

No jogo da volta, o contexto mudou. Quem chegou com desgaste de Copa do Brasil foi o CRB. E isso apareceu. Em vários momentos, o ASA foi superior fisicamente, ganhou duelos, empurrou o adversário para trás e criou volume. O Asa desfez os 3 zagueiros e trouxe a formatação habitual. A perna pesou, sim. Só que quando a perna pesa, a qualidade costuma decidir. E decidiu.

Mikael comemora mis um gol dele com a camisa do Galo. Ailton Cruz

Mateus Albino fez aquilo que no futebol se chama de goleiro que ganha pontos. Sustentou o time em momentos decisivos, duelou o jogo inteiro com o ataque alvinegro e evitou que o título viesse com derrota. Na frente, Mikael mostrou outra vez o peso de um centroavante decisivo. O ASA desperdiçou chances claras, pelo menos três. Mikael precisou de pouco para deixar a marca dele. Esse tipo de diferença define campeonato.

Na reta final, quando o físico já cobrava a conta, o CRB controlou o cenário com posse, posicionamento e experiência. A equipe soube baixar a temperatura do jogo, administrar espaços e cumprir o plano traçado por Barroca com precisão. Foi um título construído no detalhe.

Allef o meia que dita o ritmo da construção do alvinegro.. (Foto: Felipe Sostenes)

Ao ASA, ficou a dor de mais um vice, mas também um sinal claro de que existe caminho. O torcedor reconheceu isso ao aplaudir a entrega do time. Diretoria, comissão e atletas receberam a premiação de cabeça erguida. O clube mostra solidez, tem base e, com algumas peças chegando, pode mirar objetivos maiores na sequência da temporada.

Ailton Cruz

No CRB, a festa é justa, como tem de ser num pentacampeonato. Só que o calendário não deixa ninguém morar muito tempo no abraço. A logística para Souza já impõe um baita desafio. Porque no futebol brasileiro a memória do torcedor é curta, quase cruel, o estadual termina, a cobrança vira a chave e já aponta para a caminhada nacional.



Fonte: Gazetaweb