A jornalista e militante petista Elida Miranda decidiu voltar à arena eleitoral. Após disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2022, quando obteve 4,7 mil votos e ficou na segunda suplência do PT, ela aceitou convite da direção do partido e confirmou sua pré-candidatura a deputada estadual este ano.
O anúncio se dá em um momento simbólico. Em março, mês marcado pelas mobilizações em defesa dos direitos das mulheres, Elida retoma a caminhada eleitoral reforçando pautas que marcaram toda a sua trajetória: direitos humanos, combate à violência de gênero e justiça social.
Militante do Partido dos Trabalhadores há mais de 20 anos, ela se consolidou como uma das vozes mais reconhecidas da esquerda alagoana, especialmente na defesa das mulheres e das pautas sociais.
Ao anunciar a pré-candidatura, Elida defendeu que a presença feminina na política precisa estar associada a posicionamento e compromisso com as lutas sociais.
“Muita gente diz que basta colocar mais mulheres na política para tudo mudar. Eu digo que depende de qual mulher. Não basta ser mulher na política, tem que ter lado e coragem para enfrentar os desafios”, afirma.
Segundo ela, sua atuação política sempre esteve vinculada à defesa dos direitos da classe trabalhadora e da justiça social.
“A política precisa voltar a servir ao povo. Por isso aceitei o desafio de colocar meu nome à disposição como pré-candidata a deputada estadual”, diz.
Representatividade
A eventual eleição — ou até mesmo uma possível convocação antes do pleito — teria peso simbólico importante. Caso assuma o mandato, Elida poderá se tornar a primeira deputada estadual do PT em Alagoas em quase três décadas.
O cenário é possível porque os deputados da bancada da Federação Brasil, Sílvio Camelo e Ronaldo Medeiros, avaliam a possibilidade de se licenciar ainda no primeiro semestre deste ano — o que abriria espaço para o primeiro suplente, Judson Cabral, e para a segunda suplente, Elida Miranda.
Mesmo sem essa hipótese, analistas avaliam que a nova disputa pode ampliar a votação obtida em 2022 e consolidar sua presença eleitoral.
Militância e trajetória
A história política de Elida Miranda está diretamente ligada aos movimentos sociais. Ao longo de mais de duas décadas de militância, ela atuou em iniciativas voltadas à inclusão social, à participação popular e à defesa de direitos.
Entre as bandeiras que pretende levar ao debate eleitoral estão:
– direitos das mulheres
– combate à violência de gênero e ao feminicídio
– cidadania e dignidade da população LGBTQIA+
– promoção da igualdade racial
– fortalecimento das políticas públicas sociais
– valorização da cultura popular
– agroecologia, soberania alimentar e sustentabilidade ambiental
– defesa dos direitos trabalhistas e do movimento sindical
Para Elida, a candidatura representa um projeto coletivo construído a partir das lutas sociais. “Estamos vivendo um tempo que exige coragem. Coragem para defender direitos, fortalecer a democracia e construir um futuro melhor para o nosso povo”, afirma.
Momento político
O lançamento da pré-candidatura ocorre em um momento de reforço no enfrentamento à violência contra as mulheres. O governo federal tem ampliado programas e ações voltadas ao combate ao feminicídio e à proteção das vítimas de violência de gênero, tema que voltou ao centro do debate público no país.
Nesse cenário, Elida Miranda busca ocupar um espaço político bem definido — o de uma candidatura feminina identificada com as pautas históricas da esquerda e dos movimentos sociais.
“É tempo de coragem”, resume.




