Um estudo internacional indica que o aquecimento global médio da Terra passou a subir em um ritmo mais acelerado na última década, atingindo a taxa mais alta já registrada desde o início das medições instrumentais, em 1880.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), na Alemanha, foi publicada na sexta-feira (6/3), na revista científica Geophysical Research Letters. Ela aponta que a elevação da temperatura global chegou a cerca de 0,35 °C por década.
O número representa um salto em relação ao período entre 1970 e 2015, quando o aumento médio era de aproximadamente 0,2 °C a cada dez anos. Segundo os pesquisadores, os resultados mostram de forma estatística que o planeta está aquecendo em um ritmo cada vez mais rápido.
A aceleração do aquecimento global pode intensificar diversos impactos ambientais e sociais já observados em diferentes regiões do planeta. Entre eles estão o aumento da frequência de eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes, incêndios florestais e deslizamentos, além de perdas econômicas, danos a ecossistemas e redução da biodiversidade.
Os cientistas também alertam que, caso o ritmo atual se mantenha, o planeta pode ultrapassar antes de 2030 o limite de 1,5 °C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais, meta estabelecida pelo Acordo de Paris.
Como os cientistas analisaram os dados?
Para chegar às conclusões, os pesquisadores examinaram cinco dos principais bancos de dados globais de temperatura usados pela comunidade científica. Entre eles, estão registros de instituições internacionais que monitoram as mudanças climáticas e o aquecimento global.
A equipe aplicou métodos estatísticos que identificaram mudanças no ritmo de aquecimento, com as análises mostrando que os primeiros sinais de aceleração começaram a aparecer por volta de 2013 e 2014, ficando mais evidente a partir de 2015.
Os resultados se mantiveram consistentes em todas as bases de dados avaliadas e apresentaram mais de 98% de confiança estatística, segundo os autores do estudo.
Fatores naturais foram filtradas
Para garantir maior precisão, os cientistas retiraram da análise fatores naturais que podem provocar oscilações temporárias no aquecimento global, como fenômenos climáticos e geológicos — alguns exemplos são o El Niño, erupções vulcânicas e variações na atividade solar.
Os eventos podem aquecer ou resfriar o planeta por períodos curtos e, por isso, podem mascarar tendências de longo prazo. Com essas interferências removidas, ficou mais claro identificar o padrão de aumento da temperatura média de aquecimento global.
Anos de 2023 e 2024 batem recordes de calor
Mesmo depois dos ajustes feitos pelos cientistas para retirar a influência de fatores naturais, 2023 e 2024 continuam sendo os anos mais quentes já registrados desde o início das medições globais.
As correções aplicadas na análise reduziram as temperaturas estimadas para esses anos, mas, ainda assim, os dados mostram que o aquecimento do planeta segue em tendência de alta.
Segundo os especialistas, o aumento da temperatura está relacionado principalmente à elevação da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, provocada especialmente por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis.
Segundo os pesquisadores, a velocidade com que a temperatura continuará subindo depende principalmente da rapidez com que as emissões globais de dióxido de carbono, geradas pela queima de combustíveis fósseis, serão reduzidas.



