Chegada de professor que matou ex a tiros cria tensão em escola do DF


Professores de um colégio da rede pública de ensino do Distrito Federal têm vivido, nas últimas semanas, um misto de insegurança e indignação no ambiente de trabalho. No início deste ano letivo, um profissional condenado por ter executado a então ex-namorada passou a dar aulas na instituição.

A escola em questão é o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Cidade Estrutural, e o professor é Igor Azevedo Bomfim, 46 anos. Ele se inscreveu no processo seletivo mais recente para professor substituto temporário da Secretaria de Educação do DF, foi aprovado e convocado no início deste ano.

Igor é acusado de matar a ex-namorada em 2010. Ele chegou a ser preso pelo crime, em novembro de 2024, mas foi solto em seguida. À época da prisão, ele já atuava como professor temporário da rede pública do DF e, em 2026, voltou ao cargo após ser aprovado em novo concurso.


Entenda o crime envolvendo o docente

  • Em 2 de novembro de 2010, Igor Azevedo Bomfim invadiu a casa da então ex-namorada Mayara de Souza Lisboa, em Santa Rita de Cássia (BA), e atirou nela. Ela morreu no local.
  • À época do crime, Igor tinha 31 anos, e Mayara, 22. Eles mantiveram um relacionamento que durou 1 ano e 8 meses.
  • Igor tinha ciúmes que “extravasavam os limites da normalidade” e monitorava Mayara a cada passo, de acordo com inquérito policial. O relacionamento foi tomado por brigas. O réu chegou a apontar arma de fogo na cara da vítima em uma discussão.
  • Na data dos fatos, Igor saltou o muro dos fundos da casa de Mayara, a encontrou no banheiro e a executou. A vítima chegou a pedir, dias antes, que um amigo vigiasse a casa dela para que ela pudesse tomar banho.
  • Depois de 12 dias foragido, Igor se apresentou à polícia e confessou o crime. O professor alegou que matou a ex-namorada “em defesa da honra”.
  • Igor virou réu e, em 2013, foi absolvido pelo Tribunal do Júri. Ele se mudou para o DF logo após a absolvição e vive na capital federal desde então.
  • A defesa de Mayara recorreu para anular a decisão que absolveu o criminoso. Em 2019, nova decisão o condenou a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão.
  • Igor recorreu e seguiu em liberdade até novembro de 2024, quando o caso transitou em julgado e ele foi preso, em novembro de 2024, em casa, no Guará (DF).
  • Dias depois, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou o trânsito em julgado do caso, e o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura de Igor.
  • O processo retornou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e segue sem atualizações relevantes.

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Igor Azevedo Bomfim é acusado de matar a ex-namorada Mayara Lisboa, em 2010, na Bahia
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Igor Azevedo Bomfim é acusado de matar a ex-namorada Mayara Lisboa, em 2010, na Bahia

Reprodução

Mayara Souza Lisboa
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Mayara Souza Lisboa

Arquivo pessoal

Mulher tinha 22 anos quando foi morta pelo ex
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Mulher tinha 22 anos quando foi morta pelo ex

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Homem mudou-se para Brasília após ser absolvido
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Homem mudou-se para Brasília após ser absolvido

Imagem cedida ao Metrópoles

O crime ganhou repercussão à época no município de Santa Rita de Cássia (BA), onde Mayara vivia
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O crime ganhou repercussão à época no município de Santa Rita de Cássia (BA), onde Mayara vivia

Imagem cedida ao Metrópoles

Parentes e amigos de Mayara se somaram ao restante da população para se manifestar por justiça
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Parentes e amigos de Mayara se somaram ao restante da população para se manifestar por justiça

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Chegada de professor que matou ex a tiros cria tensão em escola do DF - imagem 7
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Pavor e pânico

Uma professora do CEF 03 da Estrutural relata ao Metrópoles que está com “muito medo” de conviver com o assassino confesso na instituição. De acordo com a profissional, o sentimento que impera nos corredores é de pavor e pânico.

“Tenho medo de ter que ficar com ele aqui o ano todo e tratar de assuntos sensíveis com ele”, confessa a professora, que, apavorada, pede para não ter o nome revelado. A sensação de desamparo é disseminada entre as professoras que trabalham na escola. “Somos muitas mulheres. Somente no período da tarde, são 12 professoras”, comenta.

A docente explica que Igor chegou à escola normalmente, sem qualquer aviso por parte da Secretaria de Educação. “Ninguém sabia de nada, até que uma colega o reconheceu. A partir daí, a história começou a se espalhar, as reportagens foram sendo compartilhadas entre nós”, relembra. “Estou apavorada com a história.”

“Eu só não quero ter que conviver com ele. Passo os dias tremendo, eu travo em todas as vezes em que tenho que falar com ele.”

Ainda neste mês de março, o CEF 03 promoverá um evento intitulado Semana Escolar de Combate ao Machismo e Violência Contra a Mulher. A professora admite que não sabe o que esperar em relação a Igor quando a programação for realizada, uma vez que o tema contrasta com o crime por ele cometido.

“Como vamos fazer um evento desta temática com um feminicida confesso junto?! No dia a dia, ele finge que nada aconteceu, mas não sabemos qual será a reação dele caso perceba que todos nós sabemos do caso”, explica. “E se ele surtar e achar que [o evento] é por conta da presença dele?!”, prossegue.

A mulher reclama ainda da falta de seleções mais criteriosas no momento da escolha de profissionais para atuar na rede pública. “Causa indignação o fato de não haver um cuidado da Secretaria de Educação com contratações. É preocupante o risco que crianças, adolescentes, pais e professores estão correndo”, afirma.

O que diz a Educação

Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal afirma que tem conduzido o caso com discrição. “A Corregedoria da SEEDF está adotando as providências pertinentes, por meio de processo sigiloso”, informa.

A pasta não citou se tinha conhecimento do processo judicial no qual Igor é réu no momento da admissão do profissional.

O que diz o acusado

Em nota, a defesa de Igor Azevedo Bomfim informou que aguarda decisão do STJ a respeito da acusação contra o réu no caso da morte da ex-namorada.

“A defesa de Igor se limita à atuação nos autos do processo. E, a respeito disso, [a defesa] tem a informar que, nos termos do que preceitua a Constituição Federal, qualquer pessoa é presumidamente inocente até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, encerra.



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