Tudo pode acontecer, inclusive nada. A política de Alagoas entr
ou em mais uma fase de tensão nos bastidores – natural para o período que antecede as filiações partidárias e desincompatibilizações. Na direita o imbróglio se dá em torno do futuro partidário e eleitoral do prefeito de Maceió, JHC.
A versão em Brasília e Maceió é que Arthur Lira avançou sobre o PL em Alagoas como parte da estratégia eleitoral deste ano.
Um experiente político alagoano avalia como possível a filiação de Lira ao PL: “com isso ele passaria a controlar a legenda, seria candidato ao Senado em dobradinha com Alfredo Gaspar e lançaria um nome ao governo, que pode ser o próprio JHC ou outro qualquer. Mas fecharia a porta para o prefeito ou a mulher dele disputar no Senado”, pondera.
A leitura seria de que, assumindo protagonismo no partido, o deputado poderia controlar a estratégia majoritária e limitar os movimentos de JHC.
Assessores de Arthur Lira negam a filiação dele ou movimento para pressionar o prefeito. “Ele inclusive quer votar em JHC para o governo”, aponta um assessor.
Poderoso na política nacional e local, Lira fez movimento semelhante em 2022, ao tirar o União Brasil do controle do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor.
Agora, a operação não é simples. “Ele pode até tentar repetir o que fez em 2022 com o União Brasil, mas corre o risco de perder credibilidade”, avalia um influente interlocutor da política alagoana.
Aliados do prefeito dizem que a pressão pode produzir efeito contrário. “Se for isso mesmo, pode ser pressão além da conta e implodir tudo”, diz um interlocutor próximo de JHC.
Segundo ele, o prefeito não pretende aceitar qualquer tentativa de imposição política. “JHC não aceita isso. Ele tem outros caminhos, tem outros partidos.”
Entre as alternativas citadas nas conversas aparecem siglas que hoje não estão sob influência direta de Lira, como Democracia Cristã, Republicanos, Podemos e Novo.
O PSB, que chegou a ser cogitado em alguns momentos, estaria hoje fora do radar por manter maior alinhamento com o grupo político do MDB e do PT.
A avaliação no entorno do prefeito é que o estilo político de Arthur Lira — que costuma funcionar em Brasília — não teria o mesmo efeito na política local. “O Arthur tem esse estilo de bater na mesa. Isso pode funcionar na Câmara. Aqui não”, disse um interlocutor.
Para esse grupo, o poder político do deputado depende diretamente da base eleitoral em Alagoas — e principalmente de Maceió. “Ele tem força em Brasília, mas para estar lá precisa se eleger aqui. E aqui ele precisa de Maceió. E Maceió quem tem é JHC”, resume do interlocutor.
Inviabilizou
Outro ponto citado nos bastidores é a articulação de Lira para concentrar duas vagas na disputa ao Senado — uma para ele próprio e outra para Alfredo Gaspar, sem deixar espaço para outros nomes da direita, como o da empresária Marina Candia.
“Ele quer ocupar as duas vagas de senador, uma para ele e outra para o Alfredo e não deixaria vaga para Marina. Inviabilizou total. O mais difícil JHC tem que é o voto, voto espontâneo. O JHC não vai aceitar isso. Ele tem outros caminhos. Se for preciso sai do PL e leva junto muita gente, principalmente o eleitor”, reforça o interlocutor.


