A coluna do jornalista Carlos Madeiro, no UOL, descreve o momento político de Alagoas como um jogo de espera entre os dois principais polos do estado: Renan Calheiros e Arthur Lira.
Ambos aguardariam para ver quem será “traído” na disputa eleitoral pelo prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC.
Nos bastidores locais, porém, a leitura é um pouco diferente.
Antes de qualquer acordo com Renan, Lula ou Lira, o prefeito de Maceió, JHC, parece decidido a tentar preservar primeiro os seus próprios projetos políticos.
E eles seguem uma ordem clara. O primeiro objetivo é manter no grupo o mandato de senador hoje ocupado por sua mãe, a senadora Eudócia Caldas. A vaga se tornou uma peça central no tabuleiro político do prefeito.
Depois disso vem o segundo passo. Garantir a eleição de um deputado federal ligado diretamente ao seu grupo. O nome mais citado é o da sua esposa, Marina Candia, embora essa ainda seja uma decisão em aberto – até porque ela pode ser candidata ao Senado.
Somente após definir essas duas peças é que JHC entraria na disputa majoritária.
O governo do Estado.
Essa estratégia não é nova. Desde outubro do ano passado, o prefeito vem sinalizando disposição para disputar o governo, mas sempre condicionando a decisão à manutenção da vaga no Senado dentro do seu grupo político.
Em conversas reservadas, ele chegou a admitir até mesmo a possibilidade de disputar o próprio Senado se esse fosse o caminho necessário para preservar a cadeira.
Agora o tempo começa a apertar. O prazo para desincompatibilização termina em 4 de abril. Isso significa que JHC tem pouco mais de 20 dias para tomar uma decisão definitiva.
Sair da prefeitura ou ficar. Se sair, disputar o quê. E por qual partido.
É essa decisão que mantém o tabuleiro político em suspenso. Enquanto ela não chega, Renan Calheiros e Arthur Lira seguem observando. Esperando o próximo movimento.
E não só eles. Nos bastidores, muitos brincam sobre quem JHC vai contrariar com sua decisão. Sim, porque faça o que quiser, ele vai desapontar alguém na política, seja ficando na prefeitura ou sendo candidato a qualquer coisa.
O que, no fundo, confirma o diagnóstico de Madeiro: no jogo político de Alagoas, todos aguardam para ver quem dará o primeiro passo — e quem ficará pelo caminho.
JHC agora vai olhar para frente e decidir o próprio futuro. Depois – e só depois – vai pensar no destino de seus aliados.


