Jeremy Carl, comentarista político indicado em junho do ano passado por Donald Trump ao cargo de secretário de Estado adjunto para assuntos de organizações internacionais, desistiu da nomeação. Ele retirou a candidatura nessa terça-feira (10/3), após ser alvo de críticas negativas, por declarações polêmicas feitas no passado.
O comentarista político tem um longo histórico de declarações racistas e antissemitas. Com isso, ele perdeu apoio até mesmo dentro do partido Republicano e a indicação dele poderia ser derrubada no Senado.
Em um comunicado no X, Carl, que é pesquisador sênior do conservador Claremont Institute e já atuou como subsecretário adjunto do Departamento do Interior no primeiro mandato de Trump, agradeceu ao presidente estadunidense e ao secretário Marco Rubio pelo apoio, mas reconheceu que nem isso foi o suficiente para garantir a aceitação dele.
“Infelizmente, para cargos de alto escalão como este, o apoio do Presidente e do Secretário de Estado é muito importante, mas não suficiente. Também precisávamos do apoio unânime de todos os senadores republicanos da Comissão de Relações Exteriores, dada a oposição unânime dos senadores democratas à minha candidatura, e, infelizmente, neste momento, esse apoio unânime não foi obtido”, declarou.
This will be a bit more formal than usual, but I wanted to announce that I am withdrawing my nomination for consideration as Assistant Secretary of State for International Organization Affairs. I am tremendously grateful to President Trump for nominating me and then (upon… pic.twitter.com/S6nEamTZg4
— Jeremy Carl (@realJeremyCarl) March 10, 2026
As declaração polêmicas de Jeremy Carl
- Quando questionado se acreditava que havia um esforço deliberado para substituir os americanos brancos, Jeremy Carl respondeu que as políticas de imigração dos democratas “certamente deram sinais disso”;
- Jeremy Carl reconheceu ter feito comentários que minimizavam o impacto do Holocausto, descrevendo-os como “absolutamente errados”, além de declarar uma vez que “Hitler é sempre o tipo conveniente de mau exemplo”;
- Admitiu ter dito que os judeus “muitas vezes gostam de se fazer de vítimas” e sugeriu que “o ressentimento contra eles poderia surgir porque, historicamente, eles escolheram profissões que os tornaram mais opressores”;
- Admitiu já ter se posicionado contra o feriado federal de Juneteenth, que celebra o fim da escravidão nos EUA, dizendo que a data “explora a questão racial e humilha os brancos”;
- Ele já publicou um livro intitulado “A Classe Desprotegida: Como o Racismo Anti-Branco Está Destruindo a América”, em 2024, afirmando que os brancos têm enfrentado discriminação persistente e que sua identidade foi “apagada” da história americana.
Derrota a Trump
A desaprovação do nome de Carl pela Comissão de Relações Exteriores do Senado já era dada como certa desde a audiência de confirmação em fevereiro. Na ocasião, o senador John Curtis, republicano de Utah, disse que não votaria a seu favor devido a falas antissemitas e racistas, o que ocasionou o raro revés a Trump, uma vez que seu partido tem a maioria da Casa.
Nesta quarta-feira (11/3), o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, discursou no plenário comemorando a retirada da indicação de Jeremy Carl. “Que bom que os supremacistas brancos e os fanáticos de direita se foram. Jeremy Carl tinha um longo histórico de comentários violentos, antissemitas e abertamente racistas. E fico feliz que seus comentários tenham sido expostos e rejeitados”, disse.
“É preocupante que continuemos a observar um padrão em que Donald Trump se sente muito à vontade para nomear pessoas com visões abertamente supremacistas brancas e antissemitas”, completou.
Segundo a imprensa internacional, mesmo alegando à comissão que não se lembrava de algumas declarações e que se arrependia de outras, os senadores de ambos os partidos questionaram Carl sobre os comentários polêmicos.



