Em franca expansão no Distrito Federal, a cadeia exportadora de frango e aves pode ser afetada com a guerra no Irã. Produtores se preocupam com o avanço do conflito e já registram desvio de cargas que iriam para o Oriente Médio, além de mudança de rotas após o fechamento do Estreito de Ormuz. Frangos que foram abatidos de acordo com o preceito Halal, que seguem a legislação e princípios islâmicos, foram desviados para países que não exigem esse tipo de abate, como a China.
Por ora, não há registro de cargas embargadas, negócios cancelados ou redução no abate de aves na capital federal.
O produtor e presidente da Associação dos Avicultores do Planalto Central (Aviplac) Rafael Toscano afirma que o abate das aves segue sem impacto. Mas o desvio de cargas e o prolongamento do bloqueio no Estreito de Ormuz gera preocupação para todo o setor.
“Tinha uma carga nossa que passaria pelo Estreito de Ormuz, mas como lá está fechado, a gente redirecionou para a China ou outros países. Estamos apreensivos e de olho nisso se o fechamento do estreito de Ormutiz se prolongar, o cenário é incerto”, pontuou Rafael Toscano.
Nesta quinta-feira (12/3) o novo Aitolá do Irã Mojtaba Khamenei,falou, pela primeira vez, e declarou que Estreito de Ormuz seguirá fechado por tempo indeterminado.
Cadeia produtora de frango no DF
Para se ter uma ideia do tamanho da cadeia exportadora de frango, cerca de 260 mil animais são abatidos por dia no Distrito Federal e 90% dessa produção é exportada para países como Emirados Árabes, Arábia Saudita, Líbano, Omã, Japão e China.
Segundo o Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPE-DF) as exportações de carnes de aves do DF somaram aproximadamente US$ 150,5 milhões, em 2025 um crescimento nominal de 13,5% frente aos US$ 132,6 milhões de 2024. No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações já totalizam US$ 28,3 milhões, o equivalente a cerca de 19% do montante comercializado em 2025.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), compartilhados com o Metrópoles pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) apontam que o Oriente Médio foi destino de 55,2 do volume de frango exportado pelo DF, representando 66% da receita. Este ano, até fevereiro, a participação foi de 53% no volume 62,6% na receita.
Em nota, a Secretaria de Agricultura do Distrito Federal explicou o desvio de rotas realizado pelas transportadoras busca driblar o fechamento de trajetos estratégicos e manter contratos já firmados. Além disso, a pasta afirmou que monitra a situação e mantém conversas com todos os órgãos e entidades responsáveis para manter a competividade do mercado brasiliense.
“As empresas do setor estão realizando avaliações semanais da situação. Caso haja agravamento das restrições logísticas ou do tráfego marítimo na região, poderão ser analisadas novas medidas para evitar impactos no envio das mercadorias. A Secretaria mantém diálogo permanente com produtores, agroindústrias e órgãos federais responsáveis pelo comércio exterior, acompanhando a evolução do cenário internacional e trabalhando para que eventuais impactos sejam minimizados, garantindo a continuidade e a competitividade das exportações do agro do Distrito Federal”, informou a Seagri em nota.



