O CRB saiu do Marizão classificado, venceu o Sousa por 2 a 0 e confirmou a vaga num jogo do tamanho da dificuldade que aquele ambiente costuma impor. Campo pesado, partida travada, tensão alta e um roteiro que caminhava para o drama até que um gesto obsceno de Veraldo mudou a noite. O atacante foi expulso, o Sousa se desmontou emocionalmente e, nos acréscimos da longa paralisação, o CRB matou o confronto. O próprio goleiro Moisés reconheceu depois que a expulsão foi decisiva para a derrota.
O que era derrota esportiva virou outra coisa no pós-jogo. Em vez de tratar com seriedade a atitude irresponsável de um jogador que prejudicou o próprio time, o presidente do Sousa, Aldeone Abrantes, resolveu acusar Eduardo Barroca de injúria racial. Barroca respondeu de forma direta, chamou a acusação de mentira e afirmou que acionou os advogados.
E aí mora o ponto central. Racismo não é argumento de conveniência. Injúria racial não pode ser empurrada para o debate público como quem procura uma desculpa mais barulhenta do que convincente.
É grave demais para ser usada no calor da eliminação, como se fosse mais uma fala de efeito de dirigente folclórico. Quando uma acusação dessa magnitude aparece sem prova apresentada publicamente, ela deixa de ser reação destemperada e passa a ser irresponsabilidade.
Aldeone, que tantas vezes viralizou pelo humor e pela caricatura do dirigente folclórico, desta vez errou feio o personagem. Não soube perder. Pior, tentou deslocar o foco. Saiu de cena o atleta que cometeu um gesto de várzea em plena Copa do Brasil, entrou em cena uma acusação explosiva contra o treinador adversário. É a velha tentativa de transformar a própria ruína em tese conspiratória.
O futebol aceita pressão, erro, provocação, nervosismo e até vexame. O que não pode aceitar com naturalidade é acusação gravíssima lançada ao vento para aliviar o peso de uma eliminação. O Sousa perdeu com bola rolando, perdeu também quando ficou com um a menos, e o seu presidente perdeu a chance de agir como dirigente.



