Mulher que virou ré no STF por hostilizar Dino quebra o silêncio


A servidora pública Maria Shirlei Piontkievicz, alvo de uma ação no STF após acusação de hostilizar o ministro Flávio Dino dentro de um avião, sustenta que não ofendeu o magistrado. Em resposta a uma reportagem da coluna no Instagram que informava que Alexandre de Moraes é o relator do caso, ela argumentou que se assustou após ser abordada por seguranças de Dino.

“Eu não chamei o Dino de lixo, não otimizem. Falei que o Dino estava no avião porque queria falar de um assunto grave que vi no Maranhão. Mas me assustei porque o segurança dele me abordou, colando em mim. Vi outro segurança dele sem cabelo. Depois soube que tinham 11 assessores dele em volta”, comentou.

Mulher que virou alvo do STF após hostilizar Dino quebra o silêncio no Instagram do Metrópoles
1 de 3

Mulher que virou alvo do STF após hostilizar Dino quebra o silêncio no Instagram do Metrópoles

Instagram / Metrópoles

Ministro Flávio Dino
2 de 3

Ministro Flávio Dino

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Alexandre de Moraes relata ações por perseguição e ofensas a Dino em avião
3 de 3

Alexandre de Moraes relata ações por perseguição e ofensas a Dino em avião

Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela

Maria Shirlei sustenta que não tentou agredir o ministro e que desistiu de abordá-lo após a aproximação dos seguranças. “Não tentei agredi-lo porque não posso fazer força alguma, estou com 3 hérnias de disco na cervical. Fiz os passeios nos Lençóis [Maranhenses] com colar cervical, simplesmente desisti de abordá-lo e ficava pedindo para o segurança para eu passar, e o segurança (coronel) não deixava”, relatou.

A servidora afirmou que, ao se sentar no avião, comentou que o ministro queria implantar o comunismo no país e disse ter sido confrontada por assessoras de Dino. “Quando sentei, falei que o Dino quer implantar o comunismo no Brasil. Suas assessoras falaram que a direita já era, que tem que implantar o comunismo mesmo no Brasil. Eu as questionei: onde o comunismo deu certo? Nisso saiu muita fumaça do ar-condicionado, e eu falei: e agora o avião ficou contaminado de comunismo”, escreveu.

Ela também atribuiu à equipe do ministro a divulgação da versão que a identifica como apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro e nega ter feito outras declarações mencionadas no caso. “Foi a assessoria de imprensa dele que falou que eu era bolsonarista e era agressiva porque o julgamento do Bolsonaro começaria no outro dia… Se tiver uma testemunha que fale o contrário disso, é mentira. Processarei ela e a empresa onde ela trabalha. Nunca falei ‘não viajarei com esse tipo de gente’. Acho que na minha vida inteira nunca falei assim com ninguém; isso foi invenção do ministro”, afirmou.

Servidora do Estado do Paraná desde 2008 que atua no Hospital do Trabalhador, em Curitiba (PR), Maria Shirlei chegou a ser detida após o episódio, ocorrido em setembro de 2025 em um voo que partia do Aeroporto de São Luís, no Maranhão, com destino a Brasília. Ela responde por injúria, incitação ao crime e atentado contra a segurança de transporte aéreo.

Versão do gabinete de Dino

Segundo informações do processo, ao perceber a presença de Dino na aeronave, a servidora teria dito que não respeitava “essa espécie de gente” e que o avião estava “contaminado”. Em seguida, teria chamado a atenção de outros passageiros gritando “Dino está aqui”.

Ao chegar ao Distrito Federal, Maria Shirlei foi detida e indiciada pela Polícia Federal pelos crimes de injúria qualificada e incitação ao crime. O processo corre em sigilo. De acordo com fontes do STF, o caso foi distribuído ao gabinete de Moraes porque o ministro relata o inquérito das Fake News, que apura ataques a integrantes da Corte.

Em janeiro deste ano, o plenário do STF a tornou ré sob acusação de injúria, incitação ao crime e atentado contra a segurança de Dino. Ela responde em liberdade e aguarda a definição de uma data para prestar depoimento à Polícia Federal.

Após o incidente, a assessoria de Flávio Dino enviou nota à coluna relatando que o ministro estava sentado no avião quando a passageira iniciou as hostilidades. Segundo a equipe, o comportamento cessou apenas após intervenção da tripulação e da Polícia Federal.

A assessoria informa que o ministro Flávio Dino estava sentado e trabalhando, de cabeça baixa, aguardando a decolagem do voo São Luís — Brasília na tarde desta segunda-feira (1), quando uma mulher, aos gritos, embarcou e iniciou uma série de agressões contra o Ministro. A passageira em questão gritava que ‘não respeita essa espécie de gente’ e que o ‘avião estava contaminado’”, afirmou a assessoria.

Na mesma nota, a equipe do ministro relatou que a passageira teria tentado se aproximar do assento de Dino e chamado a atenção de outros passageiros. “A mulher tentou avançar em direção ao local de assento do ministro, sendo contida pela intervenção de um segurança, que se colocou entre ambos. Ressalte-se que a passageira também gritava frases como ‘o Dino está aqui’, apontando para o ministro, em clara tentativa de incitar uma espécie de rebelião a bordo. A mulher somente cessou sua conduta após ser advertida pela aeromoça-chefe de cabine. Um agente da Polícia Federal lotado no aeroporto de São Luís foi acionado, adentrou o avião e informou à segurança do ministro que iria comunicar à Superintendência de Brasília”, informou a assessoria.



Metropole