O CRB venceu o Figueirense por 1 a 0 e carimbou a vaga na quinta fase da Copa do Brasil com um roteiro que explica bem a noite no Rei Pelé. Não foi uma classificação qualquer. Foi uma vitória construída na estratégia, no volume, na pressão e na prancheta.
Zanardi sabia do desgaste da própria equipe. Em oito dias, o Figueirense encarou duas viagens pesadas, passou por Manaus e Maceió, e ainda teve pouco tempo de preparação. Do outro lado, encontrou um CRB mais descansado e pronto para empurrar o jogo no limite físico e mental. Por isso, armou o time em um 5-3-2 de bloco médio para baixo, com três zagueiros de boa estatura, alas, três volantes e uma proposta reativa, apostando no ataque direto para dois homens rápidos.
Barroca leu o cenário e atacou exatamente onde o jogo pedia. O CRB entrou com rotação altíssima, perde-pressiona agressivo, o chamado REC 5, recuperar a bola em cinco segundos. O resultado foi um Figueirense encurralado durante boa parte do confronto. Os números ajudam a contar essa história, 28 finalizações contra 6, 7 chutes no gol contra 1, 16 conclusões dentro da área contra 4. Isso não é detalhe, isso é domínio.
Faltou, no primeiro tempo, transformar a superioridade em gol. Mikael teve chance com 30 segundos, Baggio quase marcou aos 49, mas o CRB mostrava certa ansiedade para resolver logo a missão. Queria tanto sair na frente cedo que, em alguns momentos, apressou o último gesto.
Na etapa final, o jogo parecia caminhar para aquela armadilha conhecida, muito volume, pouca conversão e tensão desnecessária. Até que apareceu a mão do treinador.
Falta na intermediária, Barroca gesticula, cobra, organiza. Danielzinho e Lovat vão para a bola, a defesa entende que virá cruzamento, Baggio vende a jogada ficando de costas para o gol, Dadá atrasa a cobertura, Daniel rola no tempo exato e Baggio ataca o espaço para finalizar cruzado. Gol. Jogada treinada. Jogada com comando, ensaio e convicção. Gol com a assinatura do treinador e execução perfeita dos atletas.
Barroca explodiu na comemoração porque sabia o peso daquele lance. Não era só o 1 a 0. Era a recompensa de uma ideia bem construída.
Depois do gol, o CRB teve chance de ampliar e matar o confronto, não matou, e trouxe um drama que poderia ter sido evitado. Lucas Dias virou quase um centroavante improvisado, ganhou primeiras bolas, mas o CRB foi maduro para vencer as segundas bolas e impedir o empate. Soube sofrer sem perder a estrutura.
A classificação vale muito. Vale esportivamente, porque mantém o clube vivo em uma competição grande. Vale financeiramente, porque injeta uma cota importante no caixa. E vale simbolicamente, porque reforça a imagem de um time treinado, competitivo e com identidade.
O banco ainda mostra limitações e isso merece outro debate, porque mata-mata grande cobra elenco. Mas ontem era noite de reconhecer o principal, o CRB passou com méritos, com autoridade e com a digital do seu treinador.
Agora é confiança, não contemplação. Venha quem vier no sorteio, o CRB mostrou que tem organização, repertório e coragem para competir. Antes disso, porém, a chave já vira de novo. No sábado, a estreia é pela Série B, em Goiânia, contra um Vila Nova que chega mexido após a demissão de Umberto Louzer. Copa do Brasil dá moral e dinheiro, mas campeonato de acesso não espera ninguém. O CRB chega fortalecido, com ideias claras e sinais de que pode encarar os desafios sem baixar a cabeça.
