Yago César dos Santos Ferreira, de apenas 19 anos, levava uma vida aparentemente simples como frentista em um posto de combustíveis, em Goiânia. Morador de uma comunidade periférica da capital goiana, ele está no centro de uma investigação que revelou um esquema milionário de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em diversos estados do país por meio de bets clandestinas.
Ele é um dos nove alvos de mandados de prisão temporária no âmbito da operação Resina Oculta, deflagrada nesta quinta-feira (19/3), pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Apesar da baixa renda declarada, Yago figura como proprietário de dez empresas, todas utilizadas, segundo a investigação, para movimentar grandes quantias provenientes do tráfico de cocaína e haxixe. Para a polícia, ele atuava como “laranja”, ocultando os verdadeiros responsáveis pelo esquema financeiro da organização criminosa.
Descoberta do esquema
A descoberta faz ação deflagrada após a apreensão de 47,4 quilos de haxixe e 877 gramas de skunk em um apartamento no Riacho Fundo, em outubro de 2025. A partir desse ponto, as investigações identificaram uma estrutura criminosa que atuava como centro de distribuição de drogas no Distrito Federal e Entorno, abastecendo traficantes de diversas regiões.
O grupo não apenas distribuía drogas, mas também operava um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro. Os valores eram enviados para diferentes estados, especialmente para a região Norte, e pulverizados por meio de empresas de fachada.
Em São Luís (MA), um empresário com dezenas de CNPJs registrados movimentou cerca de R$ 30 milhões em apenas 45 dias. Já em Manaus (AM), um núcleo operado por três mulheres era responsável por fragmentar e redistribuir os valores, dificultando o rastreamento.
Empresas de fachada
A investigação também revelou o uso de aproximadamente 15 plataformas de apostas online ilegais como ferramenta de lavagem de dinheiro. Essas empresas simulavam atividades legais enquanto movimentavam recursos ilícitos.
Além disso, diversas empresas registradas no esquema não possuíam funcionamento real, operando apenas no papel para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.
Outro destaque é a participação de uma mulher que se apresentava como empresária e influenciadora digital. Com mais de 50 mil seguidores, ela utilizava uma loja de calçados para justificar movimentações financeiras, enquanto, segundo a polícia, lavava dinheiro do tráfico.
Ação policial
A operação cumpriu:
- 41 mandados de busca e apreensão
- 9 mandados de prisão
- Ações no DF, Goiás, Maranhão e Amazonas
Na área financeira, foram bloqueadas contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas, com valores que podem chegar a R$ 15 milhões por conta, além do sequestro de veículos de luxo.
Operação nacional
Ao todo, pelo menos 29 pessoas ligadas ao tráfico utilizavam o mesmo sistema financeiro para ocultação de valores.
A Operação Resina Oculta revelou uma organização criminosa altamente estruturada, que unia tráfico de drogas, empresas de fachada e tecnologia digital para movimentar milhões em todo o país — tendo como uma de suas figuras mais emblemáticas um jovem frentista que, no papel, era dono de um verdadeiro império empresarial.
As investigações prosseguem e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias.



