A transferência de Daniel Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília não foi apenas uma questão de logística ou segurança. O movimento foi interpretado como um “beijo da morte” para os envolvidos no esquema que ainda dormiam tranquilos. Vorcaro está a um passo de assinar sua delação premiada, mas carrega consigo uma armadilha que pode ser fatal para sua própria liberdade: a tentação de poupar amigos e aliados.
Investigadores que atuam no Caso Master apontam que, se o banqueiro filtrar nomes ou proteger figurões, o acordo vai por água abaixo. A lei que versa sobre organizações criminosas e colaboração premiada foi endurecida pelo Pacote Anticrime e não dá margem para silêncio estratégico.


Daniel Vorcaro, dono do Master
Arte/Metrópoles

Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Daniel Vorcaro
Reprodução

Imagens do banqueiro Daniel Vorcaro no CDP 2 de Guarulhos, em SP
Reprodução SAP
Diz trecho da lei: “O acordo homologado poderá ser rescindido em caso de omissão dolosa sobre os fatos objeto da colaboração.” Em suma, se Vorcaro “esquecer” de mencionar um senador influente, um magistrado ou um alto funcionário do governo, ele perde os benefícios, mas as provas que entregar continuam valendo contra ele. Esse é o pior dos mundos para qualquer delator.
A favor de Vorcaro, o fato de ter contratado na semana passada o advogado José Luís de Oliveira Lima, o Juca, reconhecido nos corredores do Poder por saber como se valer de uma delação para salvar seus clientes. Se o banqueiro seguir à risca o manual de Juca, conseguirá obter benefícios junto à Justiça. Do contrário, o teto da cela da Polícia Federal continuará sendo sua única vista por um bom tempo.
Tempo joga contra Vorcaro
Outro ponto importante para Vorcaro é que, quanto antes ele firmar o acordo de colaboração, melhor. Isso porque o empresário só pode se beneficiar ao delatar crimes dos quais os investigadores ainda não tenham conhecimento. Ou seja: quanto mais o tempo passa, mais esquemas são descobertos e menos margem o banqueiro tem para negociar.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, tem conduzido o inquérito de forma técnica, sem interferir na atuação da Polícia Federal e sem indicar os caminhos que os agentes têm de seguir. Nos bastidores, o magistrado tem dito que não aliviará nem perseguirá investigados.


