Amigos e autoridade usaram as redes sociais para prestar homenagens à empresária alagoana Flávia Barros, de 24 anos, encontrada morta dentro de um quarto de hotel em Sergipe, na manhã deste domingo (22). Ela é natural da cidade de Piranhas. As mensagens destacam a dor da perda, lembranças afetivas e também revolta diante de mais um caso de feminicídio.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
Em uma das homenagens, um dos amigos dela afirmou estar “perplexo e sem querer acreditar” na morte de Flávia, a quem chamou de “vítima de feminicídio” e de um “ato de covardia”. Ele destacou a trajetória da empresária, que vivia há mais de dez anos em Paulo Afonso (BA), e a descreveu como uma pessoa “extraordinária, sempre prestativa e atenciosa”. Segundo ele, Flávia tinha “um espírito otimista e um alto astral contagiante”, deixando “um pouco de sua luz e do seu brilho único” por onde passava.
Leia também
Outra amiga relembrou a intimidade que tinha com Flávia e falou da saudade imediata. “Minha melhor amiga, minha parceira… quanta vontade de viver você tinha”, escreveu. Em tom emocionado, ela afirmou que a empresária era “bonita por fora, mas ainda mais linda por dentro”, e disse que sentirá a ausência “em cada detalhe, em cada lembrança”. A amiga também destacou que teve a oportunidade de declarar seu amor à amiga ainda em vida: “Eu amo você, e sempre vou amar”.
Além da dor, manifestações também trouxeram indignação. Graciele Tairine classificou o caso de forma direta: “Não foi uma ‘fatalidade’. Foi violência. Foi crueldade. Foi feminicídio”. Ela criticou a recorrência de crimes contra mulheres e questionou: “Quantas mais precisam morrer pra virar prioridade?”. Em seu relato, também expressou medo e impotência ao pensar no futuro da própria filha, afirmando que “ser mulher ainda é um risco”.
Ela acrescenta ainda que Flávia era “uma mulher doce, sorridente, de coração bom” e que foi “arrancada desse mundo como se a vida dela não valesse nada”.
A vereadora de Paulo Afonso Evinha Oliveira também lamentou a morte e destacou o vínculo pessoal com a vítima. “Hoje eu não falo só como vereadora. Eu falo como mulher, como mãe”, disse. Ela relembrou características de Flávia, como o “jeito leve” e o “coração bom”, e afirmou que o caso “revolta” e “não pode ser normal”. A parlamentar reforçou ainda que a luta contra a violência de gênero deve continuar: “No que depender de mim, essa luta não para. Por Flávia. Por todas nós”.
Em nota oficial, a Prefeitura de Paulo Afonso, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e Cidadania, manifestou “imensa tristeza e profundo pesar” diante do caso. O texto destaca que “mais uma vida foi interrompida” e que a morte representa “um vazio irreparável”. A gestão também ressaltou que a sociedade não quer “transformar vidas em estatísticas” e reforçou o apelo por dignidade, segurança e liberdade para as mulheres.
Flávia foi encontrada morta a tiros em um hotel localizado no bairro Atalaia, na zona sul de Aracaju.
De acordo com as primeiras informações, o caso está sendo investigado como feminicídio pela Polícia Civil de Sergipe. Flávia mantinha um relacionamento com Tiago Sóstenes de Matos, atual diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso (SEAP-BA), apontado como o principal suspeito do crime.
Após o ocorrido, Tiago Sóstenes teria tentado tirar a própria vida e foi socorrido, sendo encaminhado ao Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), onde permanece internado na ala vermelha.
A Polícia Civil de Sergipe segue à frente das investigações, com o apoio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML). O objetivo é esclarecer a dinâmica do crime e responsabilizar os envolvidos.
O corpo de Flávia será velado no Ginásio Esportivo Diamante Nego, em Canindé do São Franciso, em Sergipe. O sepultamento deve ocorrer às 16h, nesta segunda-feira (23).



