O CSA entre o alívio e o autoataque


Moacir Jr – Robson Rodas e Carlos Bonatelli. (Ascom / CSA)

O CSA começa a enxergar algum oxigênio onde, até pouco tempo, só havia fumaça. A chegada de receitas ajuda a reorganizar a casa e a atacar aquilo que mais corrói ambiente em clube endividado: folha, atraso, tensão e insegurança. Não resolve tudo, claro. Mas já muda o humor de quem trabalha e devolve um mínimo de previsibilidade ao planejamento.

No meio da turbulência, Moacir Júnior recebeu sondagens e decidiu continuar no projeto. Esse detalhe não é pequeno. Em cenário de instabilidade, permanência também passa mensagem. Mostra que o treinador viu caminho, comprou a ideia e preferiu seguir, em vez de abandonar o barco na primeira maré mais forte.

CSA na estreia da era Moacir Jr. (Ascom / CSA)

Na estreia, deixou um cartão de visita dos bons. Sem um 9 de ofício, montou um CSA que, com a bola, atacava em 4-2-4, com mobilidade por dentro, alternando Mateus Melo e Fabrício Bigode como falsos 9, e abrindo o campo com Rian Santana e Dudu. Foi um time intenso, vibrante, agressivo sem a bola e interessante com ela.

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Mais do que vencer, atropelou um dos seus adversários da Série D e mostrou sinais táticos animadores. Camacho aparece como ponto de equilíbrio, daqueles jogadores que organizam sem fazer barulho e ajudam a dar sentido ao jogo.

Camacho o retorno do capitão.. (Ascom / CSA)

Agora vem a parte que precisa ser dita sem maquiagem: para a Série D, falta ofício no terço final. Falta camisa 9. Depois da saída de Ciel, o CSA hoje não tem esse perfil no elenco. E nessa divisão, centroavante não é luxo, é ferramenta de sobrevivência. Pode haver espera por alguém ainda em competição na A2. Pode haver entrave financeiro, o que é natural numa posição sempre mais cara. Mas essa lacuna precisa ser resolvida rápido.

Só que nem tudo é campo, elenco e caixa. O CSA continua exposto demais ao externo. Qualquer ruído interno vira manchete. E vira porque, muitas vezes, sai de dentro já com endereço, propósito e maldade. Depois aparece gente culpando a imprensa, quando a informação nasceu no próprio clube. A imprensa publica o que vaza. O problema é quem vaza para ferir.

Esse talvez seja o câncer mais persistente do CSA: os que, dizendo-se a favor, trabalham diariamente contra. Gente que tenta manchar a gestão sem perceber que, ao atingir a gestão, atinge em cheio o clube. No fim, é o velho gol contra de todo dia.

Já passou da hora de entender uma coisa simples: o CSA chegou num ponto em que alimentar agenda negativa por vaidade, disputa de poder ou prazer em incendiar bastidor é brincar com a própria ruína. Um dia essa turma acorda e percebe que não há mais para onde cair. Quando esse dia chegar, talvez entendam que união não era discurso bonito. Era necessidade básica de sobrevivência.



Fonte: Gazetaweb