Documentos financeiros obtidos pela coluna revelam que o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, realizou um aporte de R$ 75,3 milhões em um único dia em um fundo de investimento estruturado.
A movimentação ocorreu em setembro de 2019, coincidindo com o período de expansão do Banco Master no mercado de crédito consignado. Atualmente, Lima é um dos alvos centrais da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de fraudes bilionárias e pagamento de propinas.

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Banco Master foi liquidado após descoberta de esquema de fraudes financeiras
Michael Melo/Metrópoles

Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, é um dos alvos da operação Compliance Zero
Paulo Mocofaya/Agência ALBA
De acordo com o extrato de movimentação de cotistas, Augusto Lima injetou R$ 75,3 milhões no fundo 918 FI MM CP em 17 de setembro de 2019. O fundo em questão é um veículo de investimento restrito, gerido pela WNT Gestora, instituição que também aparece no radar das autoridades por sua proximidade com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Investigadores da PF e do Ministério Público Federal (MPF) suspeitam que fundos exclusivos como este tenham sido utilizados para ocultação de patrimônio e como canal para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e parceiros comerciais.
Apenas três meses após o aporte, em dezembro de 2019, o empresário realizou uma série de retiradas classificadas como “Resgate Doação”, totalizando quase R$ 60 milhões. Para órgãos de controle como o Controle de Atividades Financeiras, resgates vultosos sob a rubrica de doação sem beneficiários claros são sinais de alerta para lavagem de dinheiro.
Em 2019, Augusto Lima liderava a integração do Credcesta (cartão de benefício para servidores) ao Banco Master. O produto foi o motor do crescimento da instituição, mas as investigações apontam que esse crescimento pode ter sido lastreado em ativos inexistentes e fraudes em carteiras de crédito vendidas a outras instituições, como o Banco de Brasília (BRB).
A Operação Compliance Zero, deflagrada no final de 2025 e com novos desdobramentos em março de 2026, aponta que o rombo estimado nas operações investigadas chega a R$ 12 bilhões.
Há suspeitas de que Augusto Lima tenha utilizado sua influência política para garantir contratos públicos em troca de repasses financeiros mascarados como lucros de fundos de investimento.
Em fevereiro de 2026, o Banco Pleno (antigo Voiter), que era controlado por Lima, sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central devido à deterioração financeira e falta de ativos reais.
Outro lado
A defesa de Augusto Ferreira Lima tem reiterado que todas as suas movimentações financeiras são lícitas e declaradas aos órgãos competentes. Em notas anteriores, seus advogados afirmaram que o empresário possui um histórico ilibado no mercado financeiro e que as investigações se baseiam em interpretações equivocadas de operações bancárias complexas.



