‘Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX’, diz Lula ao comentar relatório dos EUA com críticas à ferramenta


O presidente Lula durante discurso em cerimônia na cidade de Salvador (BA) — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que “ninguém” vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX. O petista deu a declaração durante visita a obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, na Bahia. O presidente fez o comentário após citar um relatório, divulgado pelo governo Donald Trump nesta quarta-feira (1º), que, mais…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que “ninguém” vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX.

O petista deu a declaração durante visita a obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, na Bahia.

O presidente fez o comentário após citar um relatório, divulgado pelo governo Donald Trump nesta quarta-feira (1º), que, mais uma vez, apontou o PIX como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.

“O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, completou o petista.

 

Na sequência, Lula disse que o governo brasileiro, por própria iniciativa, pode até “aprimorar o PIX, para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens” que usam a ferramenta.

Lula deu a declaração pouco antes de encerrar o discurso em Salvador. Ele conversava com apoiadores, quando foi alertado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, que disse ao presidente: “Não esqueça de falar do PIX”.

 

Lula, então, deu a declaração sobre o relatório norte-americano e encerrou o evento na capital baiana.

🔎O PIX é um meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central que permite realizar transferências e pagamentos de forma direta entre contas em poucos segundos.

🔎🔎Disponível 24 horas por dia, ele funciona por meio de chaves, como CPF, celular ou e-mail, ou QR codes, eliminando a necessidade de digitar todos os dados bancários e servindo como uma alternativa gratuita e ágil aos antigos modelos de DOC e TED.

Integrantes do governo têm visto, no embate de Lula com Trump, uma possibilidade de crescimento eleitoral do petista. Trump é apoiado pelo bolsnarismo, que deve ter Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato ao Palácio do Planalto em 2026.

Pesquisa Quaest de setembro de 2025 aponta que 64% dos entrevistados acha certo Lula defender soberania frente aos EUA.

Prejuízo a fornecedores dos EUA, diz relatório

No documento divulgado nesta quarta-feira, o governo norte-americano fala que o PIX gera prejuízo a fornecedores dos EUA de pagamentos eletrônicos.

“O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas”, diz o documento.

 

Esta não é a primeira vez que o governo Trump cita o PIX como um risco a empresas americanas. Em julho de 2025, o sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo dos Estados Unidos.

No ano passado, a gestão Trump não mencionou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Estado brasileiro.

“O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA na época.

 

O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, documento do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos divulgado nesta quarta, ainda cita:

  • Mineração ilegal de ouro no Brasil
  • Extração ilegal de madeira
  • Leis trabalhistas brasileiras
  • PL dos Mercados Digitais
  • Regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados
  • Taxa de uso de rede
  • Satélites

 





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