Conhece alguém que tem bafo? Associação pode enviar aviso anônimo


Quem nunca sentiu um cheiro não tão agradável saindo da boca, que atire a primeira pedra. A halitose, popularmente conhecida como bafo, é uma condição que pode afetar a qualquer um e a qualquer hora do dia, especialmente quando acordamos.

No entanto, avisar para alguém que o hálito está “vencido” sem ofender não é uma missão fácil. Como solução, a Associação Brasileira de Halitose (ABHA) criou o “SOS Mau Hálito”, um serviço para contar anonimamente que o indivíduo está com bafo de uma forma mais amena.

“Muitas pessoas sentem vergonha e constrangimento de avisar alguém diretamente sobre o problema. Chegar para alguém e dizer ‘olha, percebi que você está com mau hálito’ é difícil. Então, o serviço foi idealizado para permitir esse aviso de forma ética, cuidadosa e anônima, justamente para superar essa barreira social”, afirma a presidente da ABHA, Sandra Kirchmayer.

Mandar o aviso anonimamente através da associação é fácil. Basta seguir os seguintes passos:

  • Acesse o site da ABHA e busque pela aba “SOS Mau Hálito”;
  • Preencha seus dados nos campos indicados – mesmo assim, o aviso é anônimo;
  • Em seguida, a ABHA enviará uma mensagem profissional explicando o que é a halitose, como ela ocorre e incentivando a pessoa a buscar ajuda especializada;
  • O aviso chegará à caixa de e-mail do indivíduo com halitose em até 10 dias úteis;
  • A qualquer solicitação de mensagem, é realizada uma triagem antes do envio do aviso para evitar situações de bullying ou constrangimento.

Segundo a mandatária da ABHA, muitas pessoas não sentem o mau hálito devido a fadiga olfatória, que faz o indivíduo não sentir o próprio cheiro corporal e, consequentemente, não perceber a halitose.

“O serviço é considerado de utilidade pública. Em média, enviamos entre 40 e 50 avisos por dia. Em períodos em que o serviço ganha destaque na mídia, como quando influencers ou veículos de comunicação falam sobre ele, a demanda aumenta consideravelmente”, conta Sandra.

Em pesquisas realizadas pela ABHA, a maioria das pessoas afirmou que gostaria de ser avisada do seu próprio mau hálito. “Saber disso permitiria que elas buscassem tratamento e evitassem situações constrangedoras no convívio social”, afirma.

O que causa o bafo?

O bafo pode ocorrer por diversos motivos, porém a maioria dos casos está ligado a mudanças na cavidade oral, que são resultantes da má higiene bucal, acúmulo de placa bacteriana, presença de saburra lingual, cáries e doenças gengivais.

Entre outros fatores, podem estar a redução de saliva na boca, jejum prolongado, hidratação inadequada, ingestão de alimentos fortes ou excesso de cigarro e álcool. Todos podem agravar o bafo.

Close de um jovem/adolescente em pé perto da janela fumando um cigarro em casa. Metrópoles
Fumar é uma das atitudes que prejudicam o hálito

Segundo a dentista Cristiane Diniz, a halitose também pode estar associada a problemas sistêmicos, como sinusite, amigdalite e refluxo gastroesofágico. Além disso, o bafo pode ser um sinal de alerta para doenças bucais, como gengivite e periodontite.

“As consequências vão além do desconforto físico. O mau hálito pode gerar constrangimento, afetar a autoestima, causar insegurança nas interações sociais e até levar ao isolamento”, alerta a especialista da clínica Benve Odontologia, em Brasília.

Como prevenir a halitose

Não são necessárias ações mirabolantes para evitar o mau hálito. É importante entender também que em algumas ocasiões é mais complicado evitar o bafo, especialmente ao acordar, pois o sono causa a redução de saliva na boca. Entre as principais dicas para evitar a halitose, estão:

  • Escovar os dentes após as refeições;
  • Usar fio dental regularmente;
  • Higienizar a língua para remover a saburra lingual;
  • Se hidratar adequadamente;
  • Evitar longos períodos sem comer;
  • Controlar o consumo de álcool e alimentos fortes, além do uso de cigarro;
  • Ir ao dentista regularmente.

“A halitose é uma condição comum, mas que pode ser prevenida e tratada quando sua causa é identificada corretamente. É importante não ignorar o problema, especialmente quando ele se torna frequente ou persistente”, ressalta Cristiane.



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