Para muita gente, o doce é quase irresistível. Seja após o almoço, no meio da tarde ou até mesmo à noite, a vontade de comer algo açucarado aparece com frequência. Mas o que faz o corpo pedir tanto por esse tipo de alimento?
Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, o desejo não costuma ter apenas uma causa. A vontade por doces envolve uma combinação de fatores que incluem hábitos alimentares, funcionamento do cérebro, rotina de sono e até o nível de estresse do dia a dia.
O nutricionista Wesley Arruda, assessor da gerência técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN), explica que o desejo por alimentos açucarados geralmente surge da interação entre aspectos biológicos e comportamentais.
“A vontade de consumir doces não costuma ter uma causa única. Em geral, ela resulta da combinação de fatores biológicos, comportamentais e ambientais”, diz.
Entre os fatores mais comuns estão longos períodos em jejum, refeições pouco satisfatórias, rotina alimentar desorganizada e maior exposição a alimentos ultraprocessados.
O especialista também destaca que alimentos muito doces ativam áreas do cérebro associadas ao prazer. “A literatura científica mostra que alimentos ricos em açúcar e altamente palatáveis ativam vias cerebrais relacionadas ao prazer, recompensa e impulso, o que pode favorecer a repetição do consumo”, afirma.
A nutricionista Giovanna Barreiro, do Hospital Brasília, acrescenta que existe também um componente neurológico importante nesse processo.
“O consumo de açúcar estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e recompensa. Com o tempo, o cérebro pode passar a associar o doce a alívio imediato, reforçando esse comportamento”, aponta.
Estresse também influencia
Situações de estresse e ansiedade podem aumentar ainda mais o desejo por alimentos açucarados. Isso acontece porque o organismo libera hormônios que alteram o apetite.
Segundo a nutricionista Cynara Oliveira, supervisora de nutrição do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, o principal deles é o cortisol.
“Quando estamos estressados ou ansiosos, o corpo libera cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Ele aumenta a vontade por alimentos energéticos, principalmente doces e gordurosos”, explica.
Picos de glicose podem criar ciclo de desejo
Outro fator importante está relacionado à forma como o corpo reage ao consumo de açúcar ao longo do dia. Quando uma pessoa consome grandes quantidades de carboidratos simples ou alimentos muito açucarados, a glicose no sangue sobe rapidamente.
Para controlar esse aumento, o organismo libera insulina, o que faz a glicose cair novamente. Esse processo pode provocar uma sensação de fome pouco tempo depois.
Cynara afirma que isso cria um ciclo conhecido como “montanha-russa da glicose”. “A glicose sobe rapidamente, o corpo libera insulina e depois ocorre uma queda brusca. Essa oscilação pode gerar mais fome e vontade de consumir doce novamente”, explica.
Como reduzir o desejo por doces?
Embora a vontade por açúcar seja comum, algumas mudanças na alimentação podem ajudar a controlar esse desejo. De acordo com a nutricionista Giovanna, priorizar refeições equilibradas é um dos caminhos mais importantes.
“Boas fontes de proteínas, fibras e gorduras saudáveis ajudam a aumentar a saciedade e manter a glicose mais estável, evitando picos e quedas que estimulam o desejo por açúcar”, indica.
Ela também recomenda incluir alimentos como frutas, legumes, grãos integrais e oleaginosas na rotina alimentar.
Outra estratégia importante é evitar longos períodos sem comer e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, que costumam ter grandes quantidades de açúcar.
Além disso, fatores como sono adequado, hidratação e prática regular de atividade física também contribuem para um melhor controle do apetite e da vontade por doces ao longo do dia.


