Escape imunológico: cientistas monitoram nova variante do coronavírus


Uma nova variante do coronavírus chamada BA.3.2 está sendo monitorada por pesquisadores em diferentes países, mas especialistas afirmam que, até agora, não há sinais de que ela represente um risco maior para a população.

O posicionamento foi divulgado na última sexta-feira (3/4) pela Global Virus Network (GVN), organização internacional que reúne especialistas em virologia de mais de 90 centros de pesquisa ao redor do mundo.

Segundo a entidade, as evidências disponíveis indicam que a variante faz parte do processo normal de evolução do vírus e não há motivo para preocupação pública elevada neste momento.

A BA.3.2 é uma sublinhagem da variante Ômicron do SARS-CoV-2 e está sendo acompanhada por sistemas globais de vigilância genômica, que analisam mudanças no material genético do vírus.

O que se sabe sobre a variante

Análises iniciais indicam que a BA.3.2 apresenta características de escape imunológico. O termo é usado quando mutações permitem que o vírus tenha maior facilidade para infectar pessoas que já possuem algum nível de imunidade, seja por vacinação ou por infecção anterior.

Essas alterações parecem estar ligadas a mudanças na proteína spike, estrutura do vírus responsável por se ligar às células humanas e principal alvo das respostas do sistema imunológico.

“Embora o escape imunológico possa aumentar a probabilidade de infecção ou reinfecção, isso não implica redução da proteção contra formas graves da doença”, ressalta a entidade em nota.

Até o momento, não há evidências de que a BA.3.2 esteja associada a quadros mais severos de Covid-19 ou a um aumento sustentado da transmissão.

Apelidada de “cigarra”

Em algumas reportagens, a variante passou a ser chamada informalmente de “cigarra”. Segundo o órgão, o nome não tem qualquer significado científico. O apelido surgiu em parte da cobertura da mídia para descrever o reaparecimento da linhagem após um período em que ela foi detectada com pouca frequência.

De acordo com os pesquisadores, esse tipo de denominação não indica um novo mecanismo de transmissão nem significa que o vírus seja diferente das outras variantes conhecidas.

Monitoramento deve ser constante

Para os especialistas da Global Virus Network, o surgimento da BA.3.2 reforça a importância de manter sistemas de vigilância ativa para acompanhar a evolução do coronavírus.

Entre as principais medidas apontadas estão o monitoramento genômico contínuo, a análise de amostras ambientais como águas residuais e a manutenção da capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

A orientação para a população segue a mesma adotada para outras variantes. A entidade recomenda manter a vacinação atualizada, procurar atendimento médico em caso de sintomas e continuar adotando medidas básicas de prevenção quando necessário.

Segundo a rede internacional de pesquisadores, o acompanhamento de novas variantes continuará sendo feito à medida que mais dados científicos forem produzidos.



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