Não queiram entender Kelmann Vieira com a lógica da política de bastidor que predomina em Alagoas.
Vereador, delegado da PC, líder dos “amarelinhos”, ele vira a chave sem olhar para trás e sem o temor de perder benesses.
De principal crítico da oposição na Câmara Municipal de Vereadores de Maceió durante o processo eleitoral de 2024, foi alçado a líder do governo de JHC poucos meses depois da reeleição do prefeito.
Deu liga.
Kelmann rompeu com o governo de Alagoas para embarcar no projeto político de JHC.
Nas redes, na imprensa, foi a voz mais ativa: “JHC vai deixar a prefeitura e será candidato ao governo”. Acertou a primeira e tem grandes chances de cravar a segunda.
Nada, no entanto, surpreende mais do que a decisão de se filiar ao PSDB, mesmo sem anuência do MDB.
Ele próprio reconhece o risco de perder o mandato de vereador de Maceió por infidelidade partidária.
Não será uma decisão fácil para ninguém tomar o mandato de Kelmann. Ele se filiou ao MDB em março de 2024 e cumpriu até o final.
Depois, pulou para o barco de JHC. Com os dois pés: “Estou feliz em fazer parte do grupo do prefeito @jhcdopovo, do vice-prefeito @rodrigocunhaal e do próximo presidente da Câmara, @chicoholandafilho. Juntos, seguiremos trabalhando por uma Maceió ainda melhor!”, disparou nas redes sociais em 24 de dezembro de 2024.
De aliado, Kelmann virou fã de JHC. Admirador e aliado a ponto de colocar em risco o próprio mandato.
O desembarque do MDB foi anunciado primeiro com uma frase emblemática: “Quem tem medo das consequências das próprias escolhas não precisa de prisão… já vive trancado dentro de si”.
Em seguida, veio o desabafo. “No sábado, tomei a decisão da minha vida. Sei que muitos podem até questionar, porque, infelizmente, o MDB não me deu a minha carta de anuência e, com isso, eu possivelmente perderei meu mandato de vereador.”
A decisão? Entrar de cabeça na campanha de JHC: “Sigo firme, sem temer, acreditando no povo de bem e no que Deus tem reservado para minha vida. Obrigado meu futuro governador @jhcdopovo, conte comigo e vamos pra luta!”
Kelmann mandou uma mensagem no meu zap, já apagada pela duração de 24 horas: “uma vaga de federal é minha”.
Ele já começou a percorrer Alagoas em busca de votos, sem olhar para trás.
Antes de migrar para o ninho tucano, Kelmann voltou à sede do MDB, encontrou o presidente do partido, o senador Renan Calheiros, que o recebeu na legenda há dois anos, e pediu anuência. Não. Esta foi a resposta.
Mais uma vez, resolveu virar a chave. Sem maiores explicações. Livre, Kelmann vai para a campanha.
Dele não esperem movimentos calculados ou arrependimento. A liberdade tem preço — e ele decidiu pagar.



