Dizem que o tempo voa
como se ele assistisse
à distância
ao atropelo das horas
Logo o obstinado tempo
que por destino se gruda
em tudo
e a todos ilude sem pejo
Logo o tempo que finge
aos que olham para trás
que foi ontem
o mais distante passado
Logo o tempo que finge
aos que olham pra frente
ser remoto
o mais avizinhado futuro
Logo o tempo que finge
aos tolos que respiram
que serão eternos
os nossos amanheceres
Ponta Verde, fevereiro de 2025.
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CARLOS MÉRO
Nasceu em 1949 (Penedo, Alagoas, Brasil). Graduou-se em Direito. Exerceu o magistério jurídico e desempenhou as funções de Desembargador Eleitoral, Promotor de Justiça e Secretário de Estado. Publicou: Um gosto de mulher (Poesia). São Paulo: Scortecci, 1996; O Beco das Sete Facadas e Outras Estórias Alucinadas (Ficção). São Paulo: Marco Zero. 2005; Dias assombrados em Roma (Memórias). São Paulo: Scortecci. 2015; Graciliano Ramos: Un monde de peines (Depoimento). Lille (FR): TheBookEdition. 2015; O Chocalho da Cascavel e outros relatos de maldizer (Ficção). São Paulo: Scortecci. 2016; Contos Covidianos (Ficção). São Paulo: Scortecci; Relato de um delírio – Aconteceu em Lisboa (Ficção). São Paulo: Scortecci, 2025. É Sócio Louvado da Confraria Queirosiana (Vila Nova de Gaia, Portugal), ex-presidente da Academia Alagoana, sócio benemérito da Academia Maceioense de Letras membro da Academia Penedense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL).



