O confronto no Rei Pelé carregava uma promessa boa de futebol. Dois times com proposta ofensiva, gosto pela posse e intenção clara de atacar. De um lado, o Athletic invicto. Do outro, o CRB pressionado por seis jogos sem vencer. E, por boa parte do primeiro tempo, o time de Eduardo Barroca respondeu como se quisesse dar um basta no incômodo.
Sem João Neto e Mikael, lesionados, Barroca foi com Luiz Phellype de 9. Pedro Castro voltou ao meio, e o CRB começou avassalador. Com dois minutos, já tinha obrigado Luan Polli a trabalhar duas vezes. O gol saiu numa jogada bem construída, Hereda cruzou com precisão e Pedro Castro apareceu de cabeça para fazer 1 a 0.
Até os 30 minutos, a superioridade era clara. O placar de finalizações, 7 a 1, mostrava bem o cenário. O CRB competia, ocupava bem os espaços e, principalmente, impedia o acionamento de Ronaldo Tavares, que passou em branco na primeira etapa. O 2 a 0, em pênalti cometido por Cabezas e convertido por Douglas Baggio, fazia justiça ao que era o jogo.
Só que o detalhe, que no futebol quase nunca é detalhe, já dava sinal. Nos 15 minutos finais do primeiro tempo, o Athletic cresceu em volume, e o CRB começou a mostrar alguma desorganização para defender. Hereda saiu machucado, Kevin entrou, Alex manteve a estrutura e apostou justamente naquilo que Ronaldo Tavares tem de melhor, atacar espaço, sustentar a jogada e definir.
O segundo tempo mudou cedo. Antes do gol mineiro, Baggio quase fez o terceiro. Na sequência, Ronaldo diminuiu. Depois, o CRB ainda chegou a marcar o terceiro com Luiz Phellype, mas o VAR anulou. Ali o jogo virou de vez. Foi a senha para o Athletic aumentar a rotação, empurrar o CRB para trás e exaurir fisicamente um time que já dava sinais de desgaste.
Luiz Phellype sentiu. Pedro Castro também. Luizão idem. O CRB cansou, e o gol de empate foi amadurecendo. Na jogada mais característica do atacante português, Ronaldo Tavares atacou o espaço, ganhou de Bressan e empatou. Barroca tentou reagir, mexeu, reforçou contenção, depois buscou mais meia com Estrella e Danielzinho. Pato ainda acertou a trave. Mas o roteiro já era outro.
No fim, veio o castigo. Melhor dizendo, veio o mérito de quem teve força para virar. Pênalti para o Athletic, Ronaldo Tavares bateu, fez o terceiro, assinou um hat-trick no Rei Pelé e assumiu a artilharia da Série B com cinco gols em quatro jogos.


