Reaças queriam um Lula porra-louca para ser sem culpa lixo que já são


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu neste domingo o “Hannover Messe”, na Alemanha, a principal feira industrial do planeta, e afirmou que a União Europeia insiste “em narrativas falsas” sobre o agronegócio brasileiro. Para quem não sabe: as imputações negativas ao Brasil, nessa área, vão da concessão de crédito a juros abaixo dos cobrados pelo mercado ao protecionismo. Nada do que dizem os adversários é essencialmente mentiroso. O que interessa é outra coisa e vai em frase interrogativa: os críticos não são ainda mais agressivos nas mesmas práticas justamente porque são menos competitivos? A resposta é “sim”.

Tanto os indivíduos da UE como os do Brasil têm de cuidar do seu jardim, como escreveu um tal Voltaire. Assim, o que vemos é o líder petista, de esquerda, estupidamente rejeitado por 9 entre 10 ruralistas, a defender o setor. A maioria dos valentes dessa área prefere Ronaldo Caiado (PSD) ou Flávio Bolsonaro (PL), pouco importando os Planos Safras recordes dos governos do PT. Também ignoram as promessas de submissão aos interesses norte-americanos feitos por esses dois. É mais fácil contestar o Teorema de Pitágoras do que remover um preconceito — burro esse também, a exemplo de todos os outros.

Lula defendeu na Alemanha a escolha energética brasileira feita na área de combustíveis:
“O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar as coisas. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos. (…) É preciso ainda combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura (…) Criar barreiras adicionais a um acerto de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”.

Pois é… O mandatário brasileiro está coberto de razão. Lembro que o etanol brasileiro está na raiz da investigação determinada pelo Escritório de Representação Comercial dos EUA com base na tal Seção 301 das Leis norte americanas para combater supostas práticas comerciais desleais. Chega a ser patético: em certa medida, o líder petista, nas disputas comerciais, é o procurador de interesses de setores que o detestam num misto de preconceito e burrice.

VAMOS PENSAR?
Vocês já ouviram falar do “Samba do Crioulo Doido”? A expressão, assim, deslocada do contexto, parece carregar certa carga de preconceito, só que não. Quem entrar nessa onda vai criminalizar palavras sem o contexto. E o contexto é sempre importante. Na minha Dois Córregos natal — interior de São Paulo, para os não íntimos —, ser o “lazarento no truco” queria dizer ser “bom demais”, “quase invencível”. E ninguém nem sabia da alusão à doença, que estava na raiz da palavra, mas não no fato linguístico, razão por que se podia ser também, no jogo de cartas a que aludo, um “morfético”. Nesse caso, então, o “fodaço” das cartas, com absoluta certeza, estava muito atento, jamais “dormindo no saco”.

Informo: em 1966, o jornalista Sergio Porto, que tinha como heterônimo “Stanislaw Ponte Preta”, criou o espetáculo de revista “Pussy Pussy Cats”. E deu à luz o “Samba do Crioulo Doido”, que ironizava os, digamos, triplos saltos carpados dos enredos de Carnaval em que tudo tinha a ver com tudo, e nada, com nada. A prática, convenham, está por aí. E então apresentou o samba alucinado, cuja letra vai abaixo:

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar

Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II

Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta

Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão

Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Dona Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também

O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou.

Nada faz sentido, vê-se. O mesmo se diga sobre a historinha da vida real que acabo de contar aqui. É claro que Lula acerta ao defender o agro brasileiro em terra estrangeira. E que os valorosos senhores que zelam por essa área deveriam ser nem vou dizer “gratos” a Lula, mas ao menos reverentes ao chefe de estado que, ao defender aos interesses do país, também se coloca ao lado desses valentes que, não contasse com outras expressões objetivas de apoio, têm a vantagem dos juros subsidiados.

Acontece que, no enredo alucinado em curso no Brasil, em que a hipocrisia ameaça ser última palavra (ilustração iStock), eles se opõem severamente a Lula porque, afinal, o presidente está entre aqueles que reconhecem que remanescem problemas fundiários no país, de que o MST é, sim, uma expressão, e porque admite que temos um déficit de justiça social que um governo com algum senso de decência tem de tratar, ao menos, com políticas sociais compensatórias.

Ora vejam…  Na terra em que um presidente da República de esquerda defende o agronegócio brasileiro em fórum internacional, embora ampla maioria desse setor prestmreverência a candidatos que se ajoelham diante de Trump e suas tarifas, numa cpovardia irremediável, resta O quê? Talvez cantar:
“Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II”

A verdade é que setores da elite brasileira não aceitam o fato de que Lula não seja o porra-louca que eles gostariam que ele fosse para que pudessem ser, sem culpa nenhuma, o lixo reacionário que jamais deixaram de ser.



Metropole