O que a vitória da jornalista mineira Ana Paula Renault no BBB 2026 pode ensinar aos candidatos a presidente da República nas eleições de outubro próximo? Tudo ou nada, a depender da visão de cada um de nós. Tudo na vida é política, por mais que muitos não compreendam isso ou não queiram compreender.
Ana Paula aprendeu com derrotas que colheu antes. Em 2016, na condição de a participante mais popular da edição do BBB daquele ano, foi expulsa, acusada de ter agredido um dos concorrentes. Arrependeu-se mais tarde, pediu desculpas e disse ter ficado “arrasada e decepcionada” consigo mesma.
Em 2018, participou da décima temporada do reality show “A Fazenda”, na Rede Record de Televisão. Nova derrota, desta vez para a empresária Nadja Pessoa, sua principal rival no programa. Saiu da disputa após obter 35,80% dos votos. Foi a terceira participante a ser eliminada. Parecia nada ter aprendido.
Venceu o BBB 2026 no início da madrugada de hoje com 75,94% dos votos. Milena Lages, também mineira, recreadora de festa infantil e babá, ficou com 17,29%. E Juliano Floss, catarinense, dançarino e influenciador digital, com 6,77% dos votos. Juliano conta com mais de 20 milhões de seguidores em suas redes sociais.
Ana Paula entrou no BBB 2026 com cerca de 2,3 a 2,4 milhões de seguidores no Instagram. Durante o confinamento, ela teve um crescimento massivo de seguidores, chegando a mais de 8 milhões. Dos finalistas, Milena era o que tinha o menor número de seguidores: 3 mil. Mas já superou a marca de 2 milhões.
Exposição nas redes sociais por si só não basta para que se ganhe uma competição – e Juliano é prova disso. Milena prova que exposição por outro meio, no caso a televisão, atrai seguidores em grande quantidade, desde que o desempenho seja considerado positivo. Torci por Milena, apesar do favoritismo de Ana Paula.
A facada que levou em Juiz Fora, a um mês do primeiro turno da eleição de 2018, ajudou Bolsonaro a vencer. A decisão de continuar no jogo apesar da morte do seu pai a três dias do fim do programa, poderia ter derrotado Ana Paula se a maioria dos votantes a tivessem visto como uma pessoa insensível, desumana.
Mas, não. Foi só mais um gesto de coragem de uma mulher que nos 100 dias de reclusão mostrou-se como é de fato, falando com clareza o que pensa. Não tentou bancar a boazinha quando, por temperamento, nem sempre é. Não evitou comentar temas polêmicos que poderiam ter lhe custado uma imensidão de votos.
Falsa moderação pode funcionar para quem sempre se comportou como um radical, e agora nega, mas um dia a máscara acaba caindo. Ana Paula Renault, um exemplo de moderação, seria uma fraude completa, e ela sabia disso. Ganhou por apresentar-se tal como é. Embora às vezes se engane, o povo não é bobo.




