Um idoso foi internado de forma compulsória no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, após decisão da Justiça motivada por condições extremas de acúmulo de lixo em sua residência. Segundo o Ministério Público, o caso representava risco não apenas à saúde do morador, mas também de toda a vizinhança.
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De acordo com as autoridades, o imóvel apresentava grande quantidade de resíduos, incluindo carcaças de animais e até lixo hospitalar. A situação favorecia a proliferação de roedores, insetos e outros vetores de doenças, configurando um problema sanitário grave.
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A medida judicial também determinou que a Prefeitura realizasse a limpeza do local. Para a retirada parcial do lixo, foram necessárias quatro caçambas, e os trabalhos de higienização e dedetização continuam.
O promotor de Justiça Denis Guimarães explicou que a atuação ocorreu tanto pela necessidade de preservação da saúde coletiva quanto pela condição do próprio paciente, que não possui familiares e apresentava transtornos psiquiátricos, além de resistência ao tratamento oferecido pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Segundo a Secretaria de Saúde do município, o idoso era acompanhado desde 2023, mas deixou de aderir ao tratamento e passou a impedir a entrada das equipes em sua residência. Diante do agravamento do quadro, foi solicitada a internação compulsória.
O paciente foi encaminhado para o Hospital Psiquiátrico Portugal Ramalho, em Maceió, onde permanece sob cuidados médicos até estabilização do quadro clínico.
Problema também atinge a capital
Casos de acúmulo compulsivo não são isolados em Alagoas. Em Maceió, cerca de 300 toneladas de lixo já foram retiradas de imóveis desde 2024, segundo a Vigilância Sanitária.
As ações geralmente ocorrem a partir de denúncias. Inicialmente, os moradores são notificados para realizar a limpeza. Caso não haja resposta, órgãos municipais atuam de forma conjunta para retirada dos resíduos, com apoio da Guarda Municipal e de secretarias ambientais.
Além dos riscos à saúde, o acúmulo excessivo pode configurar crime ambiental, conforme a legislação vigente.
Especialistas destacam que o transtorno de acumulação está ligado à saúde mental e exige acompanhamento psicológico e psiquiátrico, aliado a ações de assistência social e sanitária.



