Com a revelação do Metrópoles de que o Itaú fez aporte milionário na operação conjuntura de bancos e empresários que injetou R$ 142 milhões no Estadão, a instituição financeira emitiu nota confirmando a transação, mas nega que tenha ingerência nas decisões editoriais do jornal centenário.
Em nota enviada ao Metrópoles, o Itaú afirmou que“sua participação na emissão de debêntures do Grupo Estado, em 2024, faz parte de uma operação de reestruturação de dívida preexistente, conduzida em conjunto com outros bancos de grande porte”.
A nota confirma também o valor e o objetivo do negócio. “A iniciativa visa a reorganização financeira da companhia, com valor total do Itaú de R$ 15 milhões”, diz. O texto ainda destaca que “a operação é estritamente de crédito de mercado, contratada em condições usuais nesse tipo de contexto, e dentro dos parâmetros regulatórios”.
Por fim, o Itaú ressalta que “por sua natureza jurídica, a debênture bancária não confere ao Itaú qualquer poder administrativo, de gestão, participação em conselho ou influência sobre a linha editorial do veículo”.
Acontece que a compra de debêntures não se deu em um contexto isolado, mas dentro de uma operação conjunta entre bancos e empresários com o intuito de salvar as finanças no Estadão, que acumula prejuízo de R$ 159 milhões.
Apesar dos esforços dos empresários para sanear as contas do jornal, o último balanço da empresa, publicado no dia 9 deste mês, registrou novo prejuízo de R$ 16,8 milhões no ano de 2025.
Ao fazer parte do grupo de bancos e empresários, o Itaú participou da negociação para que três representantes dos investidores integrassem o conselho de administração do Estadão. Assim, a estrutura do acordo foi além de um simples empréstimo.
Após a operação, o conselho passou a ser composto por:
- Representantes do jornal:
- Francisco de Mesquita Neto;
- Roberto Crissiuma Mesquita;
- Manoel Lemos.
- Representantes dos bancos e empresas que investiram no Estadão:
- Marcelo Pereira Malta de Araújo – ex-executivo do grupo Ultra;
- Marco Bologna – sócio da Galápagos;
- Tito Enrique da Silva Neto – ex-presidente do Banco ABC.
O grupo de investidores também exigiu a substituição do CEO do jornal por um nome indicado por eles.
Em junho de 2024, dias após a operação, Erick Bretas substituiu Francisco de Mesquita Neto como CEO do Estadão. Francisco Mesquita, que pertence à família originalmente dona do jornal, por sua vez, passou a ocupar um lugar no conselho de administração.
Estadão não é o único veículo de comunicação sobre o qual o Itaú exerce poder de influência. O Itaú também exerce forte influência editorial na revista Piauí.


