o que pode, não pode e como funciona na prática


Nos últimos anos, o Airbnb passou a fazer parte da rotina de muitos condomínios. Pode ser o apartamento ao lado, um imóvel no mesmo andar ou até um vizinho que decidiu alugar um quarto por alguns dias.

Mas o que, de fato, muda na dinâmica do prédio quando isso acontece? E o que é percepção, ou exagero, nesse debate?

A locação por curta temporada é uma atividade legal, prevista há décadas na Lei do Inquilinato, e já incorporada ao cotidiano dos brasileiros em toda e qualquer cidade, seja ou não apenas em um destino turístico tradicional. Nos últimos anos, o avanço das plataformas digitais trouxe apenas mais segurança e organização a esse modelo. Como parte dessas locações residenciais acontece em condomínios, ela segue submetida às regras de convivência já estabelecidas nesses espaços.

Na prática, o imóvel pode ser alugado por períodos curtos, mas o uso das áreas comuns, o controle de acesso e as normas internas continuam valendo para hóspedes (“no sentido de ocupantes, vocabulário já incorporado e assimilado, sem que altere a natureza jurídica da relação contratual, porque a essência do ato é o que importa e não seu nome”, como lembrado pelo advogado Marcelo Terra) da mesma forma que para moradores.

“É uma atividade amparada pelo direito de propriedade, mas que acontece em um ambiente coletivo, o ambiente condominial”, continua o advogado Marcelo Terra,. “A questão central acaba sendo a convivência no dia a dia do condomínio, eventuais abusos pontuais, passíveis de punição na forma da lei e da convenção condominial, tal como se dá em toda e qualquer ocupação, a título de propriedade, de locação (por temporada ou não), ou de comodato”, diz.

Quem são os anfitriões

Parte do ruído vem também de uma percepção distorcida sobre quem está por trás do aluguel por curtos períodos.

Dados do próprio Airbnb indicam que mais da metade dos anfitriões (“também aqui no sentido ampliado e abrangente, incluindo o locador”, salienta Marcelo Terra) no Brasil tem mais de 60 anos. Entre 2020 e 2025, a presença desse grupo na plataforma cresceu mais de 1551%.

Muitos desses idosos utilizam a locação como complemento de renda, alugando um quarto ou um único imóvel. Ainda segundo a empresa, quase 60% desses anfitriões são mulheres.

Na prática, isso significa que, na maioria dos casos, o anfitrião no Airbnb não é um operador profissional, mas alguém próximo da realidade do próprio condomínio.

Onde surge o impasse

Síndicos e administradores apontam que o desconforto costuma surgir não pela existência da locação em si, mas pela falta de alinhamento sobre como ela acontece.

Entre os pontos mais comuns estão hóspedes que chegam sem conhecer as regras do prédio, dúvidas na portaria e a busca por canais para resolver eventuais imprevistos.

Nesse contexto, o Airbnb já oferece uma série de recursos e ferramentas que ajudam a organizar e conduzir essa dinâmica, como o Canal de Apoio ao Vizinho, o Painel de Condomínios e uma página dedicada ao tema de Aluguel por Temporada em Condomínios, em notável diferença para melhor em relação às locações por temporada celebradas de forma difusa pelos proprietários sem auxílio da plataforma

Iniciativas e convivência no dia a dia

Com o tema ganhando escala, também começam a surgir iniciativas voltadas a dar mais previsibilidade e transparência à convivência. Uma delas é o chamado Painel do Condomínio, ferramenta em teste em São Paulo que permite a síndicos acessar informações básicas sobre estadias, como datas, número de hóspedes e regras acordadas.

“Nosso foco é apoiar uma convivência mais transparente e organizada nos condomínios, com informação clara para anfitriões, síndicos e moradores”, disse Carla Comarella, diretora de Políticas Públicas do Airbnb no Brasil.

De acordo com recomendações da empresa, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir ruídos na vizinhança: manter regras visíveis no imóvel, orientar previamente o hóspede e alinhar a operação com portaria e administração do condomínio.

Para especialistas, o debate ainda mistura fatos com generalizações. Afinal, nem todo aluguel de curta duração altera a dinâmica do prédio, mas, como qualquer uso em ambiente coletivo, exige organização, apoiada pela plataforma.

“Como toda dinâmica que ganha espaço nos condomínios, a tendência é que a locação por temporada seja cada vez mais incorporada à rotina, com respeito às regras e à vizinhança,” conclui Comarella.

*O dado tem como base dados internos do Airbnb de dezembro de 2025 referentes ao ano de 2025.





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