TROCO
Golpista enviou comprovante falso para o estabelecimento, mas donos perceberam a tempo e deram resposta ‘bem-humorada’
Um comerciante de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, conseguiu escapar do chamado “Golpe do Pix”. Robson da Silva Heleno, que administra, ao lado do pai, a Nostra Pizza, no Eldorado, recebeu um comprovante falso de Pix, percebeu a tempo e resolveu dar uma “lição” bem humorada na falsa cliente.
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De acordo com Robson, a pizzaria recebeu uma mensagem, via anúncio no Instagram, de uma suposta cliente que queria comprar duas pizzas e um refrigerante. Ele conta que fez todo o atendimento e, inclusive, negociou a entrega por meio de carro de aplicativo para um bairro onde o delivery próprio não cobria.
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O pagamento seria feito por meio do Pix. “Ela me mandou o comprovante no valor de R$ 173, só que na hora caiu [na conta do banco] um Pix de R$ 0,01, com os mesmos dados que ela mandou no comprovante”, conta. “Quando eu abri o comprovante, vi R$ 173, abri a conta, R$ 0,01, eu falei: essa pessoa está tentando dar um golpe”, afirma.
A solução encontrada pelo pizzaiolo e pai de Robson, Judas Tadeu Heleno, foi “dar o troco” na golpista. “Meu pai na hora teve uma ideia: vamos mandar para ela uma pizza falsa!”, revela. Os ingredientes foram retirados de uma caçamba que estava próximo à pizzaria. Em vez de pizza, a caixa foi enviada com gesso e entulho.
“Ela ainda nos questionou quando recebeu lá na casa dela o pedido, porque a gente esqueceu o refrigerante”, conta. Segundo Robson, ele ofereceu devolver o dinheiro referente ao refrigerante por meio do Pix – o que seria uma forma de obter os dados da golpista. “Como ela imaginava que a gente tinha caído no golpe, ela falou assim: pode deixar de crédito”, diz.
Só depois dessa conversa é que a golpista percebeu que recebeu uma pizza falsa e ainda questionou o comerciante. “Ela disse: moço, que isso, que sacanagem é essa? Aí, eu falei para ela: sacanagem é o que você está fazendo com a gente”, relata. Conforme Robson, a mulher disfarçou, disse que quem fez o pagamento foi a irmã, desconversou e depois bloqueou o contato da pizzaria. “Ela se apresentou com um nome, fez o Pix no nome de outra pessoa e solicitou o Uber no nome de uma terceira pessoa”, revela Robson.
Apesar de não terem tido prejuízos relevantes, Robson e o pai foram até uma delegacia e registraram um boletim de ocorrência (B.O.) pela tentativa de golpe. A pizzaria também compartilhou vídeos, fotos e prints nas redes sociais. O vídeo do senhor Judas Tadeu criando a pizza de entulho viralizou rapidamente e já atingiu mais de 2,3 milhões de visualizações.
A advogada criminalista Raíssa Rabelo lembra que a conferência de depósitos por meio da própria conta bancária é o principal mecanismo de defesa contra golpes dessa natureza. “O cuidado mais acertado do comerciante é conferir, de fato, o valor do comprovante com o valor que caiu na conta bancária, fazer a conferência dos extratos e até mesmo se o Pix que foi feito não teve solicitada a devolução por meio do mecanismo especial de devolução”, orienta.
De acordo com a advogada, quem acabar caindo no golpe deve registrar um B.O., assim como fez o Robson. “Ele pode registrar um boletim de ocorrência e também ajuizar uma ação perante o juizado especial criminal, fazendo a representação em virtude do delito de estelionato que ele sofreu. Ele tem um prazo de até seis meses para representar em juízo a partir do momento em que descobriu a autoria dos fatos”, explica, lembrando que, em muitos casos, é difícil descobrir a identidade do golpista, especialmente na internet.


